terça-feira, 31 de outubro de 2017

DICA CINEMATOGRÁFICA: BAHUBALI - A Construção do Herói Mítico e a Decadência do Gênero Épico


See my chariot run to yor ships I'll drive you back to the sea
You came her for gold he wall will not hold
This day was promissed to me
The gods are my shield lightning and javelins fly
Soon many will fall we are storming the wall
Stones fall snow from the sky

Dovahkiin, Dovahkiin, naal ok zin los vahriin
Wah dein vokul  mahfaeraak ahst vaal
Ahrk fin norok paal graan fod nust hon zindro zaan

Confesso que não é a primeira vez que me defronto com uma obra vinda de Bollwood(um conhecido e carinhoso apelido da indústria cinematográfica indiana). Sendo meu primeiro contato com esse universo colorido e musical os filmes Shingham(2011) e Shinghan Returns(2014), dos quais não só guardo lembranças extremamente agradáveis(sério, os filmes são muito divertidos), como não canso de recomendá-los a qualquer um queira sair um pouco da monotonia sombria e desesperançada dos blockbusters ocidentais. No entanto, nada me prepararia para esse filme tão... singular. E quando digo singular, estou longe de dizer que o filme é ruim ou mesmo estranho. Não, longe disso até. Apenas confesso que em todos esses anos dessa indústria vital a qual chamo de vida, poucas vezes encontrei uma saga que realmente merecesse o título de épico(e aqui coloco a palavra no masculino, já que me refiro ao gênero narrativo). 



Eu sei... eu sei... muitos de vocês, caros leitores imaginários, estão agora mesmo enumerando dezenas de sagas e filmes que se arrogam também como épicos, como Star Wars, O Senhor dos Anéis, Gladiador, Coração Valente e etc. No entanto, embora eu não desmereça esses filmes sempre achei que aos mesmo faltava um certo senso de grandiosidade... ou, melhor dizendo, que esses filmes e, particularmente, seus protagonistas tentavam ser verossímeis demais, demasiadamente humanos. Não me entendam mal, por favor. Obviamente, sei que a verossimilhança é algo importante na construção de uma narrativa e da empatia de seu público por ela. No entanto, a figura do herói, ou melhor, do herói épico é por essência inverossímil, fantástica. Pode-se ver isso, por exemplo, na obra de Homero, pai, senão fundador(ao menos no ocidente) do gênero épico. O protagonista da Odisseia, Ulisses(ou Odisseu) não é apenas um rei, mas descendente dos próprios deuses, sendo que o mesmo acontece ao principal protagonista da Ilíada, Aquiles, cuja própria mãe não é humana, mas uma ninfa do mar. O dois heróis lutam com criaturas fantásticas, flertam com divindades e são capazes de encerrar e iniciar guerras. Ambos estão, obviamente, fora daquilo que se esperaria de um homem comum, ambos caminham com os deuses. O protagonista de um épico, portanto, é por essência algo mais do que um mero humano, flertando continuamente com uma ascensão ao mundo dos mitos. Não tanto um ser de carne e osso, mas uma lenda viva, um mito.



E é justamente nesse ponto que Bahubali: O Início (2015) e Bahubali 2: A Conclusão (2017) acertam. Em toda a história fica claro que os protagonistas não pertencem ao banal e cotidiano mundo dos homens, mas são feitos de um metal muito mais raro, pertencendo essencialmente ao mundo das lendas. Ou seja, ao invés da direção do filme tentar criar mais verossimilhança para a história, fazendo uma narrativa pé no chão, optou-se por uma estilização na elaboração das cenas e narrativas, que não apenas deu um tom idílico à trama, mas reafirmou ainda mais o caráter épico, senão, lendário da mesma. Muito mais do que apenas a simples jornada do herói, temos também a impressão de estarmos acompanhando a construção de uma lenda, de um conto vindo de uma era há muito esquecida e agora pertencente apenas ao mundo dos mitos. Infelizmente, esse tipo de construção narrativa sempre foi bastante incomum no cinema ocidental. Tramas rocambolescas e cenários estilizados poucas vezes renderam boas plateias, sendo que mesmo após o relativo sucesso de 300, um dos poucos filmes que conseguiram se fazer por valer no gênero, poucas obras emplacaram o gênero. Em minha humilde e insignificante opinião, isso acontece em parte porque obras assim costumam ser extremamente caras e arriscadas do ponto de vista comercial. É difícil um público empatizar com um herói virtualmente perfeito ou com uma história muito exagerada. O cinema ocidental se tornou muito caro, e filmes se tornaram investimentos sob o alvitre de hordas de acionistas sem rosto. Obras monumentais como épicos, portanto, são dinossauros que por sua onerosidade extrema enfrentam sua extinção. 


Ai, ai, ai... como de costume, me enrolo em extrapolações e esqueço de falar do dito filme. Vamos então ao mesmo!!! A saga de Bahubali se divide em dois filmes. Bahubali: O início e Bahubali 2: A Conclusão. O enredo se baseia naquele velho clichê de Hamlet(ou O Rei Leão, para os mais jovens). O trono do ancestral reino de Mashimati é usurpado pelo maligno irmão do rei anterior Bhallaladeva(sim, vocês não vão conseguir falar ou sequer lembrar do nome de nenhum personagem do filme, aceitem), cabendo ao filho do antigo rei reaver o trono de seu pai e salvar o reino dos desmandos de seu cruel tio.  No entanto, embora a estrutura do filme seja bastante "padrão" para o gênero aventura/ação, existe uma particularidade muito interessante nesse filme. O protagonista do filme é tanto o filho do rei falecido, como o próprio rei(embora aqui através de flashbacks do passado). Dizendo de uma forma mais clara, tanto pai quanto filho são facetas de um mesmo personagem, dividindo, inclusive, mesmo o nome, Bahubali(obviamente, eles são interpretados pelo mesmo ator). A saga do herói é aqui, portanto, intergeracional. 


Eu sei, eu sei... isso parece muito estranho, mas é necessário se lembrar que o filme se trata de uma obra indiana. Mais do que apenas uma barreira puramente linguística, aqui também se encontra uma previsível barreira cultural. Conceitos como reencarnação, karma e várias idiossincrasias da religiosidade indiana são apresentados aqui de forma crua, sem a enfadonha necessidade de exposição e simplificações para o público ocidental. A obra foi pensada primordialmente para o público indiano e nós, espectadores de além mar, nos vemos desbravando a cada instante do longa um território exótico e fantástico, mas cuja beleza somos incapazes de captar inteiramente. Sim, o filme não é para todos... tenho de admitir. A colorida musicalidade típica de Bollywood provavelmente escandalizará os fãs de ação/aventura mais puristas, fora que o caráter burlesco de várias das situações do filme as vezes podem quebrar a imersão do espectador. Mas... sinceramente? Creio que as vezes devemos sair de nossa zona de conforto e experimentarmos coisas novas e diferentes. Assim sendo, NÃO POSSO DEIXAR DE INDICAR bahubali a qualquer um que queira ter algumas horas divertidas e bastante interessantes. 




P.S: Sim, esse filme está no catálogo da Netflix (tenho quaaaaase certeza). 

sexta-feira, 23 de junho de 2017

DICA CINEMATOGRÁFICA - SAMURAI REBELLION: História Japonesa, Lucha - Lucha e Tragédias


"Dies irae! Dies Illa
Solvet saeclum in favilla
Teste David cum Sybilla!

Quantus tremor est futurus,
quando iudex est venturus,
cuncta stricte discurssurus"

O filme sobre o qual tecerei meus delírios será, dessa vez, Jōi-uchi: Hairyō tsuma shimatsu (上意討ち 拝領妻始末), ou como é mais conhecido no ocidente, Samurai Rebellion, ou simplesmente, Rebelião, um filme japonês, produzido em 1967 e de direção de Masaki Kobayashi. De início, tenho de confessar que não estava muito entusiasmado quanto ao filme. Não que eu não goste de filmes do estilo. Adoro! Mas, sinceramente, esperava o básico de qualquer filme que se pretenda passar no Japão Feudal e que tenha sido produzido há mais de três décadas atrás, ou seja, kattanas, muitas frases de efeito(embora dentro de atuações fracas), e lutas bem coreografadas(embora sem sangue). No entanto, para minha surpresa, me defrontei com pouca ou nenhuma ação(também pouco sangue), e com uma trama que transpirava mais engajamento e tragédia do que muitos filmes contemporâneos que se pretendem sérios. Sendo que confesso que o ponto mais alto do filme, ao menos para mim, foi a relevância e o desenvolvimento que foram dadas à protagonista Ichi, já que, normalmente, em filmes da mesma temática as personagens femininas são completamente planas ou, na melhor das hipóteses, apenas fazem parte do ambiente(com raras exceções, é claro). Na verdade, considerando o tempo histórico em que o filme se passa, poderia até dizer que a personagem possui um talhe quase libertário, senão semi-feminista(com as devidas proporções, claro).
Mas, claro, antes de me perder em minhas teorias e elucubrações, tenho de lhes repassar o plot básico do enredo. Como já disse, a história se passa no Japão Feudal, mais especificamente no período Edo, em uma pequena província, afastada da grandiosa Tóquio feudal e do Xogunato, mas não fora das tortuosas sendas do poder. Por obvio, depois desse pequeno trecho, imagino que seja necessário um pequeno parênteses(sim, pode parar de coçar a cabeça e olhar para a tela desse jeito), para se explicar o que diabos foi o período Edo e o que é o Xogunato. Sem me perder em explicações que vocês poderão encontrar, perfeitamente, no google, faço a seguinte associação que vi em um site: o período Edo seria semelhante à Baixa Idade Média. Nesse período, o xogum(algo semelhante a um rei), exercia seu poder regional através dos Daimyos(a nobreza), que se utilizavam da força dos samurais(a sua cavalaria medieval) para governar e administrar suas terras. Tendo isso claro, pode-se entender mais facilmente o enredo, que, por obvio, dado o título do filme, tem como centro um conflito entre a hierarquia que eu acabo de descrever. 
Quando vejo a cena tenho a impressão que eles, a qualquer momento, vão começar a dançar ao som de Menudos...

Shitt!!! E lá vamos pelo terceiro bloco de texto sem que, uma palavra sequer quanto ao enredo tenha sido realmente dita. É melhor que eu me apresse...bom, na trama, Isaburo é um velho samurai que faz parte da guarda do Daymo. Na verdade, mais do que isso, ele é descrito como o melhor espadachim de toda a região. No entanto, como já disse, ele já era velho e logo passaria seu cargo(tanto profissional quanto de chefe da família) ao seu filho Yogoro, e iria poder, assim, aproveitar sua velhice ao lado de sua esposa, a quem realmente detestava. No entanto, sua vida seria pacata se não tivesse sido requisitado que seu filho, Yogoro, se cassasse com Ichi, uma ex-concubina(expulsa por seu "mau comportamento"), e ainda mãe do herdeiro do Daymo. Como diria a mãe de Yogoro; Isso é uma desonra! Uma razão de vergonha eterna para o clã! Citando, quase literalmente, uma  outra dela fala dela, "a mulher era de segunda mão, tinha mau gênio e, como se isso já não bastasse, já tinha tido um filho!" Sim, essa personagem não era exatamente uma pessoa muito agradável. No entanto, ao contrário do escruciante casamento também forçado de Isaburo, e contra todas as expectativas, Ichi e Yogoro são felizes(um casamento feliz, vê-se aqui que um aspecto de ficção quase fantástica do filme), tendo inclusive uma filha. A vida deles seria boa, se  o Daymo não requisitasse Ichi novamente ao castelo como sua concubina... 
Lucha!! Lucha!!!

Não vou contar mais, porque acabaria dando spoilers sobre a história, que confesso ser muito boa. Não me resta, portanto, nada mais do que recomendá-lo, sendo que então... Recomendo esse filme, portanto, não só para aqueles que gostem do gênero samurai, como também para todos que gostem de um bom e trágico filme.







DICA LITERÁRIA/CINEMATOGRÁFICA: ENDER'S GAME(O JOGO DO EXTERMINADOR) - Video Games, Genocídio e Falhas de Comunição

"No momento em que eu realmente entender meu inimigo, entendê-lo bem suficiente para derrotá-lo, então, neste momento, eu também o amo."
O Jogo do Exterminador

It's all about the game and how you  play it
It's all about control and if you can take it
It's all about your debt and if you can pay it
It's all about the pain and who's gonna make it

War. War Never Changes.

Ender's Game, ou no Brasil, O Jogo do Exterminador, é o primeiro livro de uma das mais aclamadas tetralogias de toda a ficção científica contemporânea. A obra, que se passa em um distante futuro onde a humanidade se defronta com uma nova forma de vida inteligente, discute temas controversos como o abuso infantil, genocídio, a influência política das redes sociais, lavagem cerebral e a racionalização do mal. Eu ainda poderia falar que o livro é uma leitura recomendada por várias organizações militares do mundo, como os United States Marine Corps(os fuzileiros), e que além do prêmio Nebula, o livro ainda ganhou o prêmio Victor Hugo graças a sua excelência. Entretanto, mais do que falar dos méritos do livro, preciso antes fazer uma escusa ao mesmo, digo, me desculpar pelo maior e mais visível obstáculo da obra à aceitação pública, o seu autor. Sim meus amigos leitores imaginários, o autor desse maravilhoso livro, Orson Scott Card, é uma pessoa... controversa


Tá... chamar apenas de controverso alguém que abertamente faz declarações públicas homofóbicas em pleno século XXI, é o mesmo que dizer que o cogumelo atômico de Hiroshima foi uma estalinho  de São João. No entanto, a despeito das declarações do autor condizem muito pouco com a realidade de sua obra, que em sua totalidade traz uma mensagem de tolerância e aceitação quanto ao diferente. Mas como de costume, coloco a carroça na frente dos burros(Sim, sou velho o suficiente para conhecer esse tipo de ditado), me esquecendo de falar do mais importante, do livro em si. Como dizia Jack, o estripador, vamos por partes!!! O enredo da obra se passa no ano de 2136, 50 anos depois de uma invasão alienígena quase ter dizimado a raça humana. Temendo um novo ataque, a humanidade cria uma poderosa força de defesa mundial. Agora, mais do que recrutar massas infindáveis de adultos maduros para combater, as crianças mais dotadas são retiradas das suas famílias e treinadas para se tornar máquinas de guerra perfeitas. No entanto, um problema remanesce, ninguém é capaz de entender as táticas ou mesmo as intenções dos alienígenas, na verdade, sequer sabe-se como os mesmos foram derrotados, sendo que nesse ponto encontramos nosso protagonista/solução, o jovem Ender.


Não posso revelar muito mais do enredo, porque isso poderia trazer spoilers tanto sobre o livro quanto sobre a adaptação cinematográfica do mesmo(que também ficou muito boa). Não posso, entretanto, deixar de elogiar o fato que mesmo publicado em 1977, a obra conseguiu desenvolver muitos conceitos que embora à época não fossem relevantes, hoje são parte importante da forma como nossa sociedade se estrutura, tais como a importância da mídia alternativa e dos blogs no cotidiano político, a utilização de games ou de realidade virtual para treinamento militar e mesmo manipulação psicológica em nível individual e coletivo. Não posso poupar elogios também à sequência O orador dos mortos(ainda estou tentando encontrar Ender, o Xenocída para comprar). Nela, assim como em Ender's Game, temos um dos  insights mais inovadores que já vi serem desenvolvidos em um livro de ficção.
A ideia de que a guerra, o genocídio e a violência, em outras palavras, o extermínio do outro, são essencialmente a consequências de situações onde não existe diálogo. Em outras palavras, não havendo a possibilidade de dialogo entre dois seres, ou duas civilizações, diferentes a violência e a nulificação do outro são a única e trágica resposta possível. Sim, eu sei que parece inicialmente algo tolo, mas praticamente todos os conflitos na história humana podem se explicados em alguma medida por esse conceito. Sejam aliens contra humanos, europeus contra indígenas ou mesmo pequenos conflitos urbanos, todos os conflitos, a violência pura e simples, é uma simples consequência de uma falha de comunicação.

Mas já me demoro demais num texto que deveria ser curto. Então... se recomendo a leitura de Ender's Game? Você leu o que escrevi acima infeliz caro leitor imaginário? Obviamente RECOMENDO, embora, como já disse, eu pessoalmente discorde, e ache mesmo que a própria obra discorda em sua essência, das palavras e posicionamentos tomados por  Orson Scott Card. A propósito, abaixo postei o trailer do adaptação do livro para o cinema. Confesso que gosto mais do livro... mas para os mais preguiçosos entre vocês, meus amados filhos da leitores imaginários, fica a dica.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

DICA LITERÁRIA: A Crônica do Matador do Rei - MAGIA, MIOJO E A VIDA UNIVERSITÁRIA



"Há três coisas que todo homem sábio deve temer. O mar em uma tempestade, uma noite sem lua, e a ira de um homem gentil."
A Crônica do Matador do Rei: Primeiro Dia

"I Hurt myself today
To see if still fell
I focus on the pain
The only thing that's real"
Hurt - Trent Reznor(versão no link do Jonny Cash)

O que posso dizer dessa narrativa que mal começou, mas que já considero pacas?!?! Brincadeiras a parte, A Crônica do Matador de Reis( The Kingkiller Chronicle) é o nome do conjunto de obras, ainda em execução, escritas pelo norte americano Patrick Rothfuss. A história, narrada pelo próprio protagonista, embora agora velho e moralmente alquebrado pelo tempo e dissabores, se passa quando o mesmo ainda era jovem, quando ele passava por um dos períodos mais difíceis e desafiadores na vida de qualquer jovem, seja num universo fantasioso, seja no mundo real, se passa durante seu período universitário. Sim, meus queridos leitores imaginários, seja no mundo real comendo diariamente miojo e fazendo das tripas coração para pagar pilhas ridiculamente grandes de apostilados, seja num universo fantástico com magia e perspectivas de vida tristemente mais interessantes que as nossas, a vida de um universitário é padecer no paraíso.



Estarei exagerando? Dramatizando às raias do romanesco sobre uma situação que na verdade não é tão sombria quanto parece? Certamente! E ao mesmo tempo não. O ambiente universitário é, na nossa sociedade, um dos principais ritos de passagem da juventude para a maturidade de parcela considerável da população. É nele que temos, sem demagogias, acesso à ideias, pessoas e universos completamente dissociados de nossas experiência empíricas anteriores. No entanto, é também um ambiente onde nossas concepções de valores e mundo são contestadas, e onde muitas vezes nossa própria identidade é posta em xeque. Em resumo, é o período em que cometemos nossos maiores acertos e erros, estes últimos com maior frequência(Sim, adoro ser dramático).   E talvez seja por isso que A Crônica do Matador do Rei seja tão próxima da nossa realidade. Mais do que apresentar o processo do conhecimento como algo mágico e interessante, aqui vemos um protagonista extremamente humanizado se debatendo contra desafios, obstáculos, realizações e sonhos comuns a todos nós. Temos desde a formação do "grupinho da faculdade" a conhecida ultima chance de termos amigos que nos suportarão até o túmulo(se vc ainda não está num grupinho... SHAME ON YOU, SHAME!!!), a crush por algum motivo aleatório inatingível, o dia em que se encontra finalmente a área em que você vai se especializar( e a sucessão de inumeráveis matérias e áreas do conhecimento que se encontra até lá),  e o maior obstáculo de todos... o vil metal. 


Tá... a narrativa não se centra nas agruras do protagonista Kvothe para arrumar dinheiro e se sustentar(essa é a história da minha vida), mas num interessante nó narrativo que envolve governos medievais ao melhor estilo GoT(Game of Thrones, pelo amor dos sete deuses!!!), um misterioso inimigo que ameaça destruir o mundo, e o próprio protagonista que, no presente da história, é a sombra do homem que foi um dia, por causa de um erro ainda a ser narrado. Fora isso, não posso deixar de mencionar que a tradução em português está belíssima, com uma leitura fluída e maravilhosamente viciante(e vejam bem que não estou sendo pago pelo merchan, mas se quiserem me pagar aceito). O único ponto negativo que posso mencionar, é o espaço temporal excessivo que existe entre cada livro( seriamente, parece que todo autor de fantasia possui um ódio obsceno contra o seu próprio público). De resto, só posso dizer uma coisa... RECOMENDO SERIAMENTE a leitura da saga(ainda incompleta) A Crônica do Matador do Rei, a todos que queiram ler algo menos sombrio que Game of Thrones, mas também não queiram apelar para algo excessivamente juvenil. Em resumo, indico o presente livro para todos que quiserem ter uma boa leitura.

sábado, 23 de abril de 2016

DICA CINEMATOGRÁFICA: JIN-ROH: A BRIGADA DO LOBO - O uivo do fascismo



"Então a garota deitou-se ao lado do lobo, sentindo o toque do pelo roçar seu corpo.
Como a senhora é peluda vovó - exclamou Chapeuzinho.
É para te esquentar, minha neta - respondeu o lobo.
Que unhas grandes a senhora tem!
São para me coçar, minha querida.
Que dentes grandes a senhora tem!
São para te comer.
E então, ao dizer essas palavras o lobo se atirou sobre a Chapeuzinho vermelho e a devorou."
Chapeuzinho Vermelho, Charles Perrault

"Houve um tempo em que os homens
Em suas tribos eram iguais
Veio a fome e então a guerra
Pra alimentá-los como animais
Não houve tempo em que o homem
Por sobre a terra viveu em paz
Desde sempre tudo é motivo
Pra jorrar sangue cada vez mais."
O Lobo, Pitty

Uma das coisas mais intrigantes sobre o conto da Chapeuzinho Vermelho é saber que o caçador só aparece nas versões mais contemporâneas da história. Na primeira versão, escrita não pelos irmãos Grimm(esses apenas se apropriariam do conto no Séc. XIX), mas por Charles Pearrault no distante Séc.XVII, a Chapeuzinho Vermelho é devorada pelo lobo ao final do conto. Sim amiguinho(a)s, não existem finais felizes nem nos contos infantis. Na verdade, as versões originais de nossas histórias de ninar tendem a ser tão sinistras, tão repletas de assassinatos, canibalismo, incestos e estupros, que fariam Game of Thrones parecer uma novela cômica das 20h. Mas voltando ao assunto, o conto original da Chapeuzinho Vermelho tem como objetivo alertar as gerações infantis sobre o perigo do estupro. Sim amiguinhos, a história que você ouviu quando era um pequeno catarrento(e que provavelmente já contou para a sua criação de novos catarrentinhos), sobre uma jovem menina que se perdia na floresta e quase foi devorada pelo lobo mau tratava-se de uma história metafórica sobre um estupro. Na verdade, não é grande surpresa. Histórias sempre foram uma ótima forma de transmissão de conhecimentos, condutas e tradições, sendo que a maior parte de nossos contos de infantis tem como fim ensinar nossas crianças(digo, catarrentinhos) sobre aquilo que é certo ou errado, ou sobre como os mesmos podem evitar situações perigosas. Entretanto, imagino que alguns de meus leitores já estejam se perguntando o que diabos isso tem haver com Jin - Roh, uma animação japonesa que se passa em uma realidade paralela onde o nazismo venceu a Segunda Guerra. Bom...o melhor caminho para se atingir um objetivo nem sempre é uma linha reta.
Uma curiosidade digna de nota... um dos principais motivos dos lobos figurarem tanto como vilões em vários contos infantis, é que séculos atrás os mesmos eram uma grande ameaça para pequenas comunidades e vilarejos.
Tal fato, acabou fazendo com que os mesmos fossem temidos e associados à toda espécie de vilania. Ao mesmo tempo, esse temor mítico influenciou uma caça desenfreada contra os mesmos, o que causou sua extinção em boa parte da Europa. 
Jin Roh: The Brigade of the Wolf, dirigido por Hiroyuki Okiura e lançado em 1999, trata-se de um drama sobre um soldado de uma unidade paramilitar fascista que se apaixona por uma integrante de um grupo terrorista. Entretanto, o filme não se limita apenas à simplicidade de seu plot, também fazendo uma atualização politizada do conto de Charles Pearrault. Agora, o lobo não é mais uma simples fera famita, tampouco um maníaco sexual, mas um sistema político desumanizador.
Kann man Herzen brechen
Können Herzen sprechen
Kann man Herzen quälen
Kann man Herzen stehlen
Fascismo, segundo a Wikipédia, é uma forma de radicalismo político autoritário nacionalista que surgiu na Europa na início do Séc. XX. Algumas de suas características mais marcantes seriam a veneração do estado, a devoção a um líder forte e carismático, e uma ênfase ao emultranacionalismo, ao etnocentrismo e ao militarismo. Obviamente, sei que essa é uma conceituação um tanto vaga e imprecisa, mas tendo em conta que apenas quero situar alguns de meus leitores mais jovens ou desinformados, e que não quero ser apedrejado ou linchado em praça pública, ela é perfeitamente apropriada. Entretanto, sei que nesse exato momento alguns de meus leitores estarão pensando que embora a ligação do facismo com a história de Jin Roh seja direta, a ligação desse com a Chapeuzinho Vermelho é no mínimo vaga, senão absurda. Contudo, citando Hobbes, "o homem é o lobo do homem", e que melhor exemplificação dessa frase senão o fascismo, um regime dedicado à violação e agressão de inimigos externos, internos e de seus próprios cidadãos. Em resumo, um reino de lobos. Sendo que nessa nação lupina, que história poderia ser mais cruel e apropriada do que o conto de Pearrault?

O homem é o lobo do homem, o lobo
O homem é o lobo do homem, o lobo
Tendo isso em conta, pode-se dizer que o filme se trata, na verdade, de um romance entre a chapeuzinho vermelho e o lobo mau. Todavia, ao contrário da história de ninar moderna e mesmo de sua brutal versão original, não existem finais felizes para protagonistas ou antagonistas. No cinzento universo dos lobos bípedes, não existe espaço para compaixão ou amor, apenas para uma eterna fome de agressão e morte.


Recomento Jin Roh: A Brigada do Lobo, portanto, a todos aqueles que gostarem de um bom drama vestido com uma profunda crítica política. No entanto, faço uma ressalva para aqueles que tiverem estômago fraco, já que o filme possui uma violência gráfica muita alta(embora ache que vocês já perceberam isso...).



Aleatório... aproveitando o espaço e apenas pelo frenesi nerd, apresento aqui minha versão favorita da Chapeuzinho Vermelho(vai ter uma resenha da obra no blog depois, eu espero). - LINK

quinta-feira, 21 de abril de 2016

DICA CINEMATOGRÁFICA: HARDCORE HENRY - O melhor videogame que já assisti no cinema...


"Rocco: Fuckin' - What the fuckin'. Fuck. Who the fuck fucked this fucking... How did you two fucking fucks..."

"Tonight I'm gonna have myself a real good time
I feel alive and the world is turning inside out Yeah!
I'm floating around in ecstasy
So don't stome me now don't stop me
'Cause I'm having a good time having a good time"


Confesso que a primeira vez que ouvi falar desse filme foi durante uma de minhas inúmeras noites insones, anos atrás. Ao que me lembro, era um final de semana monótono e como bom misantropo nerd e antissocial que sou(sim, eu odeio gente e sim, eu provavelmente te odeio, apenas sou educado o suficiente para não jogar isso na sua cara), eu estava fazendo minha semanal maratona de filmes e séries regada à quantidades temerárias de cafeína (porque dormir é para os fracos). Nesse ponto, meu amigo hipster(sim Sr. B, você é um fucking Hipster!!! Shame on you!!!) me apresentou um video da produção desse filme(esse video aqui). Obviamente fiquei entusiasmado, na verdade, entusiasmo é uma palavra demasiadamente curta e simples para descrever o estado de delirante histeria que fiquei ao ver o video. JESUS FUCKING CHRIST!!! Aquilo era o futuro! Um filme onde você podia realmente se sentir o protagonista bad ass... claro, se eu fosse branco, tivesse o mínimo de preparo físico e conhecimento bélico eu me identificaria mais ainda. Convenhamos, eu jamais cumprirei nenhum desses requisitos, então por mim já estava ótimo! Voltando ao assunto, vi que o filme ainda estava em produção e que o video, inclusive, tinha como função arrecadar dinheiro justamente para o filme. Obviamente, tive um prematuro fim de minha crush cinematográfica. Não ia acontecer, não era para acontecer. Mas aconteceu, e FUCKING CHRIST foi ótimo!!!

Sério, essa foi uma das melhores sequências de ação que vi nos ultimos anos. À excessão dessa...
Nesse minuto você pensa: "o diretor desse filme jogou CS demais..."

Houveram várias explosões, centenas de headshots, um belíssimo gore e um humor negro que me fez chorar de rir(mas tenho um senso de humor preocupantemente perverso). Pelo chifre do unicórnio dourado, foi lindo... mas sim, meu caro leitor entediado, sei que estou exagerando no meu faniquito, mas preciso expressar de algum jeito o AWESOME do que vi. Mas, finalmente, me recomponho...minto, FUCKING AWESOME MOVIE EVER!!! Falando sério, Hardcore Henry, ou como ficou conhecido no Brasil, Hardcore: Missão Extrema, é uma produção russa/americana de 2016. Curiosamente ele é o primeiro filme de ação produzido inteira e exclusivamente em primeira pessoa, e nem preciso dizer que teve grande inspiração em games first person shooter como C.S(Counter Strike), Doom e Call of Duty. Na verdade, essa foi exatamente uma das maiores razões do hype do filme, já que ele representaria o que de mais próximo o cinema poderia chegar dos games. Sim, meu leitor gamer compulsivo, você ouviu bem. Esse filme é muito parecido com um videogame. Na verdade, a impressão que tive ao vê-lo foi de ver algum amigo jogando um game com bons gráficos e uma história muito divertida.
"Esse é o ponto onde eu compro e upo minhas armas? Foda-se se a metralhadora é amis potente, me dá a escopeta!!!" Pensamento gamer 
Falando em história, esse é um ponto meio complicado no filme. Inicialmente o enredo do filme parece muito simples, na verdade, ele é extremamente clichê de início. O herói, um androide, salva a mocinha indefesa do maléfico vilão, um telepata albino bad ass mas com um plano de dominação mundial merda, a mesma ideia que permeia desde Tristão e Isolda até Super Mário, em resumo, o suprassumo do clichê. Óbvio, que apresentado aqui de forma um tanto quanto canhestra, mas compreensível dado o fato de que o filme se passa inteiramente pelos olhos do protagonista. Entretanto, com o desenvolver da trama o enredo fica assustadoramente mais profundo(obviamente, dentro das limitações de um filme B) e alguns personagens até conseguem um bom desenvolvimento.

Mas quem se importa com enredo e desenvolvimento de personagem?!?! Ser bad ass é o suficiente, não? Não? NÃO?!

Não posso me escusar de dizer que o filme tem suas falhas e limitações. Essas que, inclusive, tornam o filme inadequado para o grande público. Além do grau extremo de violência e nudez(imagino que filme tenha, no mínimo, censura 18 anos), o fato de ser filmado em primeira pessoa e do personagem correr, escalar, pular de prédios, helicópteros, tanques de guerra, além de coisas que apenas a imaginação de um louco pode conceber, tornam a imagem projetada na tela um pouco desorientadora. Não me entendam mal, não estou dizendo que a câmera mexe muito, estou dizendo que a câmera mexe o tempo todo!!! Quando o protagonista do filme corre durante algumas sequências, confesso que fiquei quase enjoado e tonto(não pelo tremor da câmera, mas porque realmente me senti correndo). Entretanto, tendo em conta que se trata de um filme experimental essas falhas são perdoáveis. Na verdade, para aqueles que são viciados em games ou que gostam de filmes como Adrenalina(que eu vergonhosamente assumo que gosto), esse filme será provavelmente a melhor coisa que foi lançada em décadas!!! Entretanto, caso você(VOCÊ MESMO) tenha um certo problema com sangue, não goste muito de filmes de ação ou simplesmente tenha resistência à filmes B... eu não recomendaria ver esse filme. Sério mesmo, você vai odiar.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

DICA CINEMATOGRÁFICA: Terminator 5 - É ruim, mas eu gostei!

"(...)
He was turned to steel
In the great magnetic field
When he travelled time
For the future of mankind

Nobody wants him
He just stares at the world
Planning his vengeance 
The he will soon unfurt
(...)"


Confesso que assisti ao mais recente filme da saga Exterminador do Futuro, Terminator Genisys(Terminator 5) e, ao contrário da maior parte das opiniões que podem ser vistas nas redes sociais, blogs e podcasts, gostei do filme. Sim, podem reclamar e xingar muito no twitter pela puta falta de sacanagem de minha afirmação(só os fortes entenderão). Não posso mentir, me diverti um bocado vendo este filme de merda.
Sério. Adorei!

Mas não sejamos apressados ou melhor, como diria Jack - O Estripador, vejamos isso parte por parte. De início, esse filme que se propõem a revitalizar a série Exterminador do Futuro(que desde Terminator 3 andava mal das pernas), o faz do mesmo modo que a FOX  fez em X Men: Dias de um Futuro Esquecido. Ele usa o conceito de viagens no tempo e das consequentes mudanças do contínuo temporal para apagar todos, ou ao menos parte, dos desastrados filmes anteriores(que nunca haveriam ocorrido de acordo com essa confusão). Já imagino agora que muitos de vocês estejam se perguntando "What the fuck is this?!" e, não se preocupem, explico. Viagens no tempo, como a próprio nome já deixa subentendido, se constituem na possibilidade de se deslocar livremente de uma época para outra, sendo que um dos primeiros autores a introduzir o conceito foi H.G Wells, no seu livro A Máquina do Tempo. Entretanto, embora no livro citado o protagonista tenha viajado para o futuro, a possibilidade de se deslocar no tempo livremente trás uma questão óbvia. Viajar para o passado não poderia alterá-lo? O tempo(passado/presente/futuro), pode ser alterado ou é algo sólido e imutável? Em resumo, viajar no tempo desafiaria o "destino" ou apenas o confirmaria?


Confuso ou não, adorei essa cena! hahahahaha
A propósito, Khaleesi cadê os dragrões?!

Bom, a resposta a pergunta anterior depende do universo ficcional de que estamos falando(nem a pau tento discutir as possibilidades disso na física quântica). Em universos como Donnie Darko, Efeito Borboleta e no próprio Terminator 5, o tempo é algo mutável, então alterar o passado pode alterar o futuro(o presente de onde se partiu a viagem). No entanto, o problema é que durante todos os outros filmes da saga Terminator, o tempo sempre se mostrou algo imutável. Sim pequeno hater, eu sei que a Skynet sempre mandava robozinhos para matar o John Connor ou a mãe dele ou o papagaio dele. Entretanto, nenhum desses robôs, contra todas as chances a seu favor, tiveram sucesso(o que prova que o tempo é imutável). Mais ainda, se algum deles tivesse matado John Connor e o mesmo nunca tivesse existido no futuro, por que razão o mesmo robô teria sido enviado para o passado? O robô nunca teria existido assim como a pessoa que ele matou! Pior, se a mãe de Johnn Connor não houvesse sido caçada por um robô assassino(The Terminator-1984), o famoso herói da revolução das máquinas nunca teria nascido(não nos esqueçamos que o pai dele veio do futuro). Em resumo, a própria Skynet criou John Connor! E não me venham com a ideia de "linhas de tempo paralelas", pura balela!!! Isso é um furo imensurável no enredo e vocês sabem, mesmo que não admitam!

WTF!!! Dr. Who??? O que aconteceu com você?! E não posso deixar de dizer que sua nova Sonic Screwdriver está incrível!!! (se você entendeu isso, seu nível nerd está muito, muuuuuito alto)
Sim, eu sei, esse papo de viagens no tempo é mortalmente confuso. Entretanto, enredos cujo plot envolve viagens extra temporais são normalmente muito confusos,  fora que os roteiristas de filmes normalmente são também bastante preguiçosos ou inaptos para esclarecer melhor suas histórias. E falando em preguiça e inépcia, não posso deixar de dizer que foram esses os dois principais elementos que construíram o roteiro do Terminator 5. Houve a preguiça de se criar boas cenas, bons diálogos ou sequer uma história decente, e houve uma imperdoável inaptidão para repetir os velhos jargões e clichês que nos fazem amar tanto filmes de ação. Imagino agora que depois dessa pilha de defeitos e malfeitos meu leitor, meu incauto e desinteressado leitor, esteja se perguntando o que diabos gostei nesse filme. Bom, sabe aquele ditado: "tão ruim que é bom?". As cenas  de ação são passáveis, embora tenha muito menos sangue e suor que nos longas anteriores, os diálogos são fracos, mas algumas piadas até que funcionam e, mais importante de tudo... Temos FUCKING robôs assassinos do futuro!!! Por pior que seja, qualquer filme com robôs assassinos do futuro carregando escopetas e armas laser merece ao menos um voto de confiança(sqn).


Awesome!!!

Sim, esse é um péssimo motivo para indicar um filme para qualquer um, mas convenhamos, a maior parte de nós, senão todos nós, já assistimos a coisas piores pagando. Portanto, recomendo esse filme para todos aqueles que desejam não uma obra prima, mas apenas um filme bobo, exagerado e engraçadinho. No fundo, apenas um bom pretexto para ir ao cinema e comer pipoca.