terça-feira, 1 de julho de 2014

DICA CINEMATOGRÁFICA: Repo! The Genetic Opera - E ainda é melhor que os planos de saúde que conheço!

"Graverobber -Goth Opera.
Graverobber -Blood Saga.
Graverobber -Somentimes I wonder how we ever got here!
Graverobber -Old grudges.
Graverobber -Scorned lovers.
Graverobber -Somentimes I wonder why don't  all move on!"
 Repo! The Genetic Opera

Sempre considerei que existissem três categorias de filmes, os bons, os ruins, e aqueles que não podem ser determinados facilmente, pairando, por toda a eternidade, em um curioso limbo, localizado entre o sublime e o ridículo. Obviamente, que o filme que pretendo falar pertence à essa terceira categoria, que, para minha eterna vergonha, confesso apreciar bastante. Repo! The genetic Opera, produzido em 2008 e dirigido por Darren Lynn Bousman(sim, é o mesmo diretor de jogos mortais), não poderia ser descrito de forma melhor, do que como uma mix de vários elementos ruins(fora o diretor, temos ainda no elenco, Paris Hilton, Alexa Vega, lembrando que, como o filme é musical, todos mundo canta, mesmo não afinando), uma verdadeiro prenúncio de desastre, uma bomba( the fucking doomysday machine!),  que, inexplicavelmente, desaguou em um filme que, senão pudesse ser considerado bom(existem sempre os malditos puritas!), ao menos poderia ser dito como bastante razoável, particularmente, tendo-se em conta os já referidos fatores de risco.
Too Far!

Far.

Close.

Inside! - Admita, um supervilão com guarda-costas assim, merece bastante respeito...

Passando ao enrendo, esse tem como pano de fundo um futuro indeterminado e decadente, onde em decorrência de uma misteriosa epidemia, os transplantes de órgãos se tornam não só constantemente necessários, mas comuns a ponto de serem usados para fins puramente estéticos. Fornecedores de órgãos, portanto, se tornam absolutamente essenciais, sendo que, a maior indústria de fornecimento de órgãos artificiais, a GeneCo, se torna a senhora e governante desse doentio novo mundo. No entanto, financiar um novo rim, um baço ou até um coração, é tão difícil quanto financiar um carro ou qualquer outro bem. Muitas vezes o comprador se torna inadimplente, não conseguindo pagar à necessária ou fútil nova parte de seu corpo. Se tornando preciso, então, reaver o bem comprado, o órgão, que, no caso, está dentro do comprador, pulsando, fibrilando, respirando. Para essas situações, ao invés de demorados processos judiciais de cobrança que temos na vida real, se contrata, nesse doentio, mas prático, futuro, um repo man, um assassino legal, que simplesmente arrancará(sem anestesia) o dito órgão. Isso mesmo! E fará isso cantando, já que o filme é um musical! It is a thakless job, but somebody's got to do it...


Run Run... Fast as you can! But you can't escape from the repoman...

É claro que, como já disse, esse é apenas o pano de fundo. Como toda a boa ópera, mesmo uma rock ópera, o contexto, por mais interessante que seja, é sempre secundário em relação à trama. Essa se centra sobre o atormentado Natthan, sua ingênua filha Shillo e o poderoso senhor da GeneCo, Rotti Largo(o sujeito entre as sexy bodyguards). Na história, o primeiro, Natthan, trabalha como repo man para o cruel Rotti largo, em razão de misteriosos laços traçados um passado em comum, cujo centro é a mãe de Shillo. Palavras são ditas, canções escritas, e, finalmente, o sangue é derramado.


Confesso que uma das coisas que mais me agradou no filme não foi sua trama, que, como eu já disse anteriormente, dado o caráter de opereta, não é muito profunda ou complexa. O que realmente me atraiu para esse curioso mix, foi a sua direção artística, que, apelando as vezes para o gore, o gótico e ao puramente bizarro, conseguiu criar uma obra absolutamente única. Um agregado de elementos tão diversos, tão dissonantes, que em algum sentindo, mesmo que perverso, possui alguma beleza, alguma originalidade. Outro aspecto positivo, ao menos na minha opinião, é a tentativa que se fez no filme, de tentar misturar o cinema com os quadrinhos, que são muito presentes no desenrolar de todo o longa. Assim como sin city, esses se prestam a reconstituir lembranças e dar vida à cenas que, mesmo com a magia do cinema não seriam tão bem desenvolvidas como através de um lápis e algum bocado de imaginação. Por ultimo, a título de curiosidade, é interessante notar que algumas músicas e trilhas do filme foram até cotadas para o óscar! Embora, na época, o maior cotado fosse High School Musical 3(jamais entenderei a Academia).

Recomendo esse filme para todos aqueles que tenham algum estômago e que, como eu, possuam também um humor mais negro que noite. Aos interessados, o trailer vai em anexo.




quinta-feira, 12 de junho de 2014

GAMES: SHADOW OF COLOSSUS - Ou como um garoto, que parece uma garota, mata, cruelmente, inocentes monstros gigantes

Se um dia fosse elaborada uma lista com os melhores games de todos os tempos, imagino que, certamente, um deles seria Shadow of Colossus, um jogo de ação-aventura, produzido pela Sony originalmente para o playstation 2, em 2005.  E não falo isso apenas pela jogabilidade, que é excelente. Mas também pelos gráficos, que ainda superam muitos jogos da nova geração, e pela história, que é incrivelmente bem construída e instigante.




Toda a trama do jogo se passa em um lugar e passado distantes e indeterminados. O jogador, assume o papel de Wander(acho que a pronúncia é Wanda), um jovem guerreiro, que diante da morte de sua amada(sacrificada por sua tribo, por acharem que ela estava amaldiçoada), faz um pacto com uma espécie de divindade demoníaca, chamada Dormin, para poder tentar revivê-la. Segundo o acordo, ele teria de matar os dezesseis guardiões que impediam a citada entidade de adentrar ao nosso mundo. Sim, você leu direito. O protagonista do jogo, o sujeitinho de cara de menina(boa parte dos heróis masculinos dos games japoneses tem a mesma característica), luta por todo o jogo, para poder salvar seu amor eterno e, simplesmente, trazer o apocalipse ao resto do mundo(foda-se o mundo, eu amo ela). No entanto, trazer o fim do mundo não é uma tarefa fácil, porque apenas de posse de uma espada(roubada), um arco, e de seu fiel cavalo(eu adoro esse cavalo), ele terá de localizar, enfrentar e abater os citados guardiões, que podem ser descritos, de forma simples, como muito, muito, realmente muito grandes. Em síntese, você se sente controlando uma maldita formiga quando luta com eles!
Momento em que você pensa: Foi um jogo bom enquanto durou...

Quanto à jogabilidade, essa é, como já disse, excelente. Praticamente, se pode fazer qualquer movimento no jogo, como pular, rolar, correr e até escalar montanhas, ruínas e construções. Sendo que toda a movimentação do personagem é fluida, não havendo em nenhum momento, ao contrário de muitos jogos recentes, a impressão que se está controlando um robô ou um boneco. Também não pode ser esquecido, que Shadow of Colossus trouxe um conceito absolutamente inusitado aos jogos de sua geração. Até aquele momento, em jogos onde você tinha personagens que possuíam montarias, digo, animais de montaria, quando montado, você controlava tanto animal e cavaleiro como se fossem um único ser. Em Shadow the Colossus, ao contrário, você controla apenas o protagonista Wander, sendo que seu cavalo, Agro(adoro esse cavalo), não é controlado diretamente pelo jogador, e tem respostas naturais, bastante semelhantes às de um animal normal, como medo, ou cansaço. Fato, que dá uma noção de veracidade e realidade, uma possibilidade de imersão do jogador, muito maior ao jogo.

Não tenho palavras para expressar...

... como isso é foda!

Quanto às lutas contra os já citados guardiães, os Colossus, elas poderiam ser descritas, apenas, como uma  melhores e mais fantásticas experiências que se poderia ter com um Joystick. Como já disse, os monstros enfrentados possuem dimensões ridiculamente grandes. Sendo que, algumas vezes, eu me pergunto se eles realmente conseguem sequer ver a pequena formiga que controlamos. Qualquer possibilidade de conflito direto, portanto, se mostra fora de cogitação, obrigando o personagem, quase sempre, a se usar dos mais variados artifícios para abater as monumentais criaturas. Embora isso não torne o jogo, exagerada ou impossivelmente difícil, diria até, que a dificuldade exibida, é em um nível médio.
I HAVE THE POWER!!!! #últimas palavras
Voltando à análise do gameplay, uma das poucas críticas que se poderia fazer, é quanto à inexistências de minions ou qualquer outro desafio além dos citados Colossos. Na verdade, a maior parte do tempo jogado, é passado correndo e cavalgando por vastas pradarias, florestas, e desertos, tentando encontrá-los. Outra crítica, é quanto a existência de trilha sonora somente durante os combates(embora essa também seja ótima), sendo que, durante o resto do tempo, apenas se escuta os sons naturais do cenário, como passos, o som do galope do cavalo e etc. Embora eu tenha de admitir que todo o cenário é belíssimo, a ausência de trilha sonora e o longo esforço e tempo empreendido para encontrar cada monstro, fazem o jogo ficar, ocasionalmente, um pouco maçante, lembrando, vagamente, as incontáveis horas de publicidade das paisagens lindas, mas terrivelmente tediosas, da Nova Zelândia, que a adaptação de O Senhor dos Anéis, nos trouxe(é verdade, me matem se vocês quiserem, mas admitam). 
Venham visitar a Terra Proibida do demônio Dormin! Tragam suas famílias e amigos, afinal, ele sempre está com fome!
Os pontos negativos citados, entretanto, não são capazes de obscurecer ou diminuir os pontos fortes do jogo, que são além da sua boa jogabilidade, seu enredo fantástico, seus carismáticos personagens(eu já disse que eu adoro o cavalo?), e suas incríveis lutas com os bosses do jogo. 

De todo jeito, confesso que vou ficar pelas próximas semanas, bastante entretido em matar os dezesseis monstros, libertar Dormin e tramar o apocalipse. Se alguém mais animar em me seguir nos meus maléficos planos, dê uma olhada no trailer do jogo, que postei abaixo.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

DICA CINEMATOGRÁFICA: I SAW THE DEVIL -When you gaze loog into an abyss...

"He who fights with monsters should look to it that he himself does not become a monster. And when you gaze long into a abyss the abyss also gazes into you."
Nietzsche

Recentemente, quando voltava da faculdade, passei por uma situação curiosa. Algumas crianças de rua, simplesmente entraram no ônibus e começaram a fazer uma pequena baderna, sendo que, momentos depois, sob os protestos do motorista do ônibus, todas elas saíram correndo. Confesso que não achei a pequena arruaça provocada por elas interessante, mas sim a reação das demais pessoas do ônibus, que começaram a tecer comentários sobre eugenia, castigos corporais imoralmente dolorosos, sendo que alguns até falaram em homicídio. When you gaze long into an abyss, the abyss also look into you. Na verdade, confesso que recorrentemente ouço comentários do gênero, seja na faculdade(menos), seja no dia a dia. Embora eu creia, ou queira crer, que pouquíssimas dessas pessoas realmente poderiam fazer algo do gênero. Não posso deixar de pensar, que a crueldade, ou melhor, a crueldade como vingança, é um pensamento aceitável para a maioria de nós. Sendo que I Saw the Devil, de 2010, e direção de Kin-jon-Woon, é um verdadeiro estudo sobre o tema.






No filme, Soo-Hyun, um agente do Serviço de Inteligência Nacional da Coreia do Sul(um espião), possuía uma vida absolutamente perfeita, até que sua noiva grávida, Joo-yun, é brutalmente assassinada, por uma serial-killer, chamado Kyung-chul(estrelado pelo mesmo ator que protagonizou Oldboy). Em meio a sua dor profunda, ou melhor, em uma tentativa de fugir de sua dor, Joo-yun passa a procurar obsessivamente o assassino, com o fim de lhe proporcionar uma dor tão intensa, quanto à que ele sentia, talvez ele intentasse até, em seu íntimo, transferi-la para ele . When you gaze long into an abyss, the abyss also look into you. Nesse ponto, é interessante lembrarmos que em filmes do gênero, as vítimas, ou melhor, todos os seus personagens, menos o assassino, são incapazes de se defender. São impotentes ao mal que sofrem. Nesse filme, entretanto, isso não ocorre, Joo-yun poderia ser descrito, simplesmente, como um protagonista de um filme de ação. Ele simplesmente, possui todos os meios para se equivaler, senão simplesmente massacrar o assassino de sua noiva.
Sim... ele fez GI-Joe...Todo mundo faz algo errado na vida, não faz?

Fora de contexto é até cômico, mas nessa cena, o protagonista simplesmente corta os tendões do assassino, para facilitar sua perseguição.
No entanto, mesmo após ter encontrado o assassino, e o colocar completamente à sua mercê, ele escolhe não matá-lo, na verdade, não o matar tão facilmente. A dor de Joo-Hyu não se saciaria com uma morte rápida e indolor. Sua dor era como um incêndio, que exigia um alto preço para ser saciado e, enfim, consumir a si mesmo.  When you gaze long into an abyss, the abyss also look into you.  Ele simplesmente liberta o assassino, embora o deixe com um chip de rastreio, e passa a persegui-lo, tentando incutir nele, pouco a pouco, a dor, o desespero que ele sentia, que o consumia pouco a pouco. Nesse ponto, começa um jogo de gato e rato, que dita todo o ritmo do filme. 


No entanto, Kyung-chul, o assassino, não é uma pessoa normal. Ele poderia ser descrito como um louco, um sádico, em resumo, um monstro puramente bestial. Sem exageros, ele é essencialmente mal, a pura crueldade em sua mais insana e diabólica luxúria. O que, já de início, coloca ao filme, um problema(seu problema central, na verdade), como se vingar de alguém assim? Digo, qual seria o preço para impor a um ser tão torto, tão corrupto, algum senso de dor, de medo, de temor? E fazendo isso, não teríamos de nos rivalizar com ele em crueldade?  When you gaze long into an abyss, the abyss also look into you. Tornar-se os monstros que se combate, acaba sendo a consequência natural de qualquer ato de justiça vingativa. Um ato de crueldade, mesmo quando infligido a um ser que "teoricamente" o teria merecia, sempre será, no fundo, um ato de crueldade. Matar um homicida, continua sendo um homicídio. Esses atos não são ação e consequência, mas derivam do puro arbítrio. A esfera moral, portanto, não se rege por leis naturais, tampouco comporta a ideia de reciprocidade. 
...
I saw the devil

When you gaze long into an abyss, the abyss also look into you. Tentar remediar a dor, com uma intensidade maior da mesma, é algo tão inteligente quanto apagar  um incêndio ateando à ele mais fogo. Assim como vemos na película, não há vingança que não transforme seu vingador em algo semelhante ao objeto de sua vingança. O filme começa com dois personagens absolutamente antagônicos em uma escala moral, mas em seus desenrolar, ele se aproximam cada vez mais, até que chega um ponto onde não é mais possível diferenciar suas ações.  No entanto, nossa identificação com o Joo-Hyun, é contínua, sugerindo que, provavelmente, todos nós compartilhamos com ele, essa vertigem para a corrupção vingativa, assim como mencionei no início do texto. I Saw the Devil, jamais se tratou de nos mostrar um demônio personificado, mas de nós dar chance de visualizar o nosso demônio interior. Todos estamos diante do abismo, esperemos que um dia não tenhamos de contemplá-lo, mas se o fizermos, oremos aos deuses que ele também não nos contemple.
...
Ao contrário do meu costume, não irei recomendar esse filme para todos. Embora eu realmente goste dele, e ache sua direção impecável, ele possui cenas bastante fortes, tendo uma violência tanto física, quanto psicológica, que aterrarão até aos mais fortes. Sugiro esse filme, portanto, àqueles de estômago forte e sem medo. Aos interessados, o trailer vai abaixo.



domingo, 8 de junho de 2014

DICA CINEMATOGRÁFICA: Soylent Green - WHAT IS THE SECRET OF SOYLENT GREEN?



What's the secret of Soylent Green? Essa indagação, logo nos primeiros segundos de filme, domina toda a tela. Descendo, continuamente, como uma cascata de interrogadoras estrelas cadentes no fundo negro do indiferente céu noturno. Na verdade, a pergunta não toma só a tela inicial, ela é a premissa que norteia toda essa produção, um belo sci-fi noir, de 1973 e de direção de Richard Fleischer. Todas as ações, todas as conversas, tudo se centra em torno de Soylent Green. Embora, no entanto, esse não apareça por quase todo o filme, sendo apenas mencionado, lembrado. Uma ausência difícil de não ser notada. Soylent é o elefante na sala ou, mais precisamente, o elefante que não está na sala. Entretanto, o que diabos é o Soylent Green?
Soylent Green é uma espécie de biscoito, aparentemente feito de alga, de potencial altamente energético e nutritivo, que é a principal forma de alimento(e por algum motivo, passou a ser cada vez mais raro) no distópico ano de 2022. E quando digo distópico, quero dizer, simplesmente, em pós-apocalíptico mundo de 2022. Sim, o futuro não deu certo. No entanto, ele não apenas falhou, mas deu errado em uma escala que faria o mundo de Mad Max, ou até mesmo a realidade de 1984, parecer a disney. Tentar pintar para um ouvinte/leitor esse quadro tão sombrio é até complicado, já que o filme tem uma carga visual muito forte, que dificilmente se adequaria a palavras. Mas, só para se ter uma ideia, imagine todos os medos que lhe passaram sobre o mundo do futuro. Superpopulação, fome, degradação ambiental intensa, intensificação do efeito estufa e etc. Junte tudo. ótimo, você agora está no belo buraco de merda que é o mundo de 2022!

Isso não é uma greve, tampouco um motim popular, é apenas o semanal conflito do dia da entrega das rações...
O mais curioso, é que ao contrário de filmes como Elysium e Fuga de Nova York, ser rico como o pecado ou pobre como a bondade, não traz grandes vantagens ou desvantagens. Não há mais esperanças no filme. O mundo seguiu em frente, como diria Roland, na memorável Torre Negra. A pessoa mais rica que aparece no filme, tem como seu principal sinal de ostentação, a possibilidade de mensalmente poder comprar uma pequena fatia de carne, e alguns legumes. Na verdade, o personagem principal, um detetive que investiga o misterioso assassinato de um grande executivo da empresa Soylent, a mesma que produz o Soylent Green, rouba alimentos, produtos de higiene, qualquer coisa que ponha as mãos. Sendo que sua prática, não é só encarada com a temerosa submissão da autoridade(infelizmente tão comum), mas também é tida como algo normal, comum. Em mundo onde o próprio luxo se esvaiu diante do cavalo pálido da fome, não há mais espaço para moralismos, roubar é normal, roubar é um estilo de vida.
Acho, seriamente, que o pessoal dormindo na escada paga aluguel para isso...
Temple de la Mort
Confesso que esse filme me deixou extremamente angustiado. Não por causa de sua sombria previsão do futuro. Mas por causa do desespero, do ranço de loucura presente, a todo o tempo, em seu interior. Mais do que isso, esse filme é extremamente sinestésico, embora não em uma perspectiva agradável. Para se ter uma ideia, todas as cenas externas são gravadas em lugares abertos e superlotados, com cores extremamente puxadas ao amarelo e laranja. Você começa a suar e se sentir tenso, sujo, só de olhar para a tela. Nos outros momentos, as cenas fechadas, são sempre em cubículos minúsculos, lugares que dariam a qualquer um algum senso de claustrofobia. Na verdade, apenas um local no filme, nos permite uma relativa sensação de tranquilidade. Os templos da morte, digo, os locais, hospitais, na verdade, onde as pessoas poderiam abandonar o seu vale de lágrimas e se afundar no esquecimento do além véu. Morte, portanto, é a única esperança. 
Confesso que não sei o que dizer sobre esse filme. Ele não traz nenhum conforto, nenhuma esperança. Ele apenas mostra um universo de morte e queda, muito pior do que qualquer coisa que temos, e que o deuses permitam, que algum dia tenhamos. De todo jeito, o filme vale ser visto. O enredo, como qualquer outro descendente do noir, é um carretel que cuidadosamente é desvelado à frente do espectador. A história, paira maravilhosamente entre o sublime e o ridículo. E todos os personagens são profundos, embora sombrios. Não direi muito quanto à direção, porque não sou perito nesse assunto, mas confesso que dela não tenho reclamações.

Recomendo esse filme, portanto, a todos aqueles que gostariam de, ao menos por um instante e protegidos pelo véu mágico da ficção, experimentar algo que beira a angústia absoluta. Aos interessados, o trailer.



sábado, 7 de junho de 2014

QUE FILME DE MERDA! - The 100


Ao contrário do que está no título, The 100 não é um filme, mas um seriado de tv, produzido em 2014 pela The CW. No entanto, para a discussão que pretendo ter nessa sessão do blog, esse pequeno detalhe não atrapalhará em nada. Mais do que isso, a sessão "QUE FILME DE MERDA", esmerdará(eu sei que a palavra não existe, isso é um neologismo seu idiota) qualquer obra artística que eu achar conveniente, seja filme, livro, música ou escultura de massinha de modelar. A propósito, assim como no ultimo texto dessa sessão, recordo a todos que me importo tanto com a opinião alheia, quanto me importo com a saúde da filha mais jovem do atual imperador do Japão, ou seja, para aqueles que discordarem de minhas ideias aqui propostas, só posso, com grande pesar, fazer a seguinte recomendação: fuck you! Terminado esse necessário intróito, passemos à série:
O enrendo, em poucas linhas,  nós leva a um futuro não muito distante, 97 anos depois de uma terceira guerra mundial(pela tecnologia, presumo que não muito distante de nós) para ser mais exato, onde devido a um ataque nuclear de larga escala, toda a raça humana presente na terra foi presumidamente extinta, restando vivos, apenas, os astronautas presentes nas inúmeras estações espaciais que orbitavam a terra naquele momento. Dada a necessidade, todos eles juntaram esforços e criaram, a partir de suas estações espaciais e da estação espacial internacional, uma outra grande estação, chamada de Ark, onde, no momento da série, vive tudo o que restou presumidamente da humanidade. Por obvio, dada sua escassez de recursos e espaço, eles criaram um sistema social onde qualquer delito, por menor que fosse, era punido com a morte(um sistema social de merda), sendo que essa pena seria igualmente válida para adultos, jovens e crianças(sistema social de merda, merda, merda). 
Nessa perspectiva, os personagens principais da série, um grupo de jovens infratores bastante variado, esperavam seu inexorável destino, até que lhes foi oferecida a opção, dado seu caráter descartável(eles usam essa palavra na série, de, em vez de serem ejetados pela escotilha, escolher poder ir em uma missão para a terra, onde provavelmente morreria de envenenamento por radiação. Claro que todos os 100 jovens aos quais foi dada essa opção, escolheram a morte duvidosa ao contrário da morte certa, sendo mandados, então para a terra.
Confesso que quando tive acesso à sinopse e aos primeiros trailers da série, fiquei sinceramente entusiasmado, já que a ideia me pareceu muito boa para uma ficção survive sci-fi. No entanto, com o passar da série, passei a ficar cada vez menos entusiasmado, na verdade, suas incongruências e anacronismo me deixaram profundamente deprimido. 

Claro que não estou questionando o plot do enredo, digo, não estou criticando a futurística e improvável guerra que trouxe o holocausto nuclear, o fato dos sobreviventes da estação terem sido capazes de viver quase um século sem nenhum suprimento na terra(o que é impossível na minha opinião), ou sequer o fato de terem mandado crianças em uma missão que deveria ser vital para a existência da própria sociedade em que viviam. Esses pontos, na verdade, fazem parte do que chamamos na ficção científica ou na fantasia, de postulado de veracidade, já que é sempre necessário que você aceite certas premissas que fazem parte do cenário, ou melhor, que você aceite certas regras absurdas mas que regem, de forma lógica, a realidade construída. Entretanto, essa aceitação é apenas inicial. Não se pode construir uma história de ficção científica ou fantasia que não tenha uma lógica interna, como a série.


Um dessas irritantes faltas de proporção que ficam logo evidentes na série, é a ausência quase total de resquícios de radiação no ambiente. Digo, fora um cervo com uma segunda cabeça, que aparece logo no episódio inicial, não vemos mais praticamente nenhum sinal de radiação no ambiente. Ao contrário, vemos uma fauna e flora absolutamente exuberante, algo muito estranho, dado que a série teria se passado apenas à, aproximadamente, 100 anos do fatídico holocausto nuclear. Mesmo com meus parcos conhecimentos em química e biologia, eu creio que uma massiva exposição à radiação demoraria séculos, senão milênios, para abandonar naturalmente, ao menos para níveis aceitáveis, um ambiente. Sendo que em um ambiente assim, qualquer forma de vida, qualquer forma mineral, estaria irremediavelmente contaminada. Você não poderia caçar ou sequer beber a água de um ambiente assim, sem a devida descontaminação, o que não ocorre na série.

Outro ponto que achei um bocado sem sentido, foi a tentativa de inserir na série, animais e plantas que não existiam no mundo pré-guerra, ou seja, nosso mundo. Digo, embora a exposição a radiação ajude na ocorrência de mutações genéticas(normalmente elas apenas matam ou debilitam seus portadores), o processo evolutivo demora séculos, senão milênios para poder especificar um ser, a ponto de torná-lo indistinguível, ou dar a ele características antagonicamente distintas das de seu ancestral originário. Dessa forma, é extremamente improvável que em um período de apenas um século, vermos animais como uma pantera com escamas, um "monstro aquático" ou até mesmo uma borboleta fluorescente.
Momento em que você diz: isso vai dar merda!
Quando você descobre que estava certo!
Mas o que realmente me incomodou na série, foi o fato de haver uma presunção constante de estupidez e descontrole para todos os 100 jovens que chegaram à terra. Não que eu diga que os adolescentes sejam criaturas por essência racionais, sequer constantemente inteligentes(eu já fui, afinal de contas), mas esperar que a cada problema, eles tomem a pior e mais burra decisão possível, é, certamente, rebaixá-los demais. Na verdade, pior, o próprio pessoal da estação, se comporta, boa parte do tempo, de forma completamente anacrônica, comportando-se ora de forma ordeira e abnegada, ora como se tudo estivesse pronto a explodir em um motim.
Isso vai dar merda...SQN

E assim começa uma linda amizade! SQN
Claro que a série tem também seus aspectos positivos. Um dos que mais aprecio, é a relação que os famigerados 100 possuem com os underground, digo, a população que, contra todas as expectativas, sobrevivem à guerra e passou os últimos cem anos, vivendo normalmente(ou quase) na terra. Nesse ponto, creio que eu daria aos roteiristas da série um pequeno sorriso de apreciação, já que ambas às comunidades se comportam de modo completamente hostil e, portanto, verossímil. No entanto, mesmo quanto a eles tenho um certo descontentamento, já que, embora esteja sobrevivendo em um mundo radioativo à décadas, todos parecem muito saudáveis e fortes, sem tumores ou qualquer sinal que de envenenamento radioativo. Na verdade, tanto os undergrounds quanto os 100, estão limpos e bem vestidos o tempo inteiro, fato que é, infelizmente, muito comum ao gênero, mas que não faz o menor sentido em um mundo sem cosméticos ou água encanada.

Concluindo, a série possui uma ideia interessante, mas peca muito na sua execução. Seus já relatados anacronismos e absurdos me fizeram, sinceramente, decepcionar-me bastante, a ponto de ter desistido de sequer tentar terminar a temporada. Assisti-la é, infelizmente, um desperdício de valioso tempo que poderia ser usado para seriados melhores, como Breaking Bad, Orage is The New Black, e Boardwalk Empire.



segunda-feira, 2 de junho de 2014

ALEATÓRIAS: The Joker Blogs - I AM HERE, BECAUSE I LIKE TO BE HERE!

Confesso que sempre me indaguei o que teria acontecido com o Coringa entre o segundo e o terceiro filme da trilogia de Christopher Nolan. Por óbvio, eu sei que dado ao suicídio de Heat Ledger pouco depois do The Dark Knight(onde ele teve uma interpretação visceral no papel do joker), seria senão impossível, pouco recomendável continuar a história do personagem na trama com um novo ator. No entanto, seja por motivos de enredo, seja por motivos de força maior, o Coringa(ou Joker em sua versão norte americana) nunca teve seu final na trama bem definido, ou ao menos a continuidade de sua história, bem explicada. Sabemos apenas que ele passou uma larga temporada no Asilo Arkhan, e apenas isso...
Why so serious?
Até a pouco, portanto, pensava que o Joker do universo criado por Nolan, se restringiria apenas ao segundo filme da saga criada pelo diretor. Entretanto, tive uma ótima surpresa quando descobri um pequeno canal no youtube chamado The Joker Blogs. Criado por fãs do filme e do personagem, ele se pretenderia uma continuação dos fatos iniciados no segundo filme da franquia dos cinemas, preenchendo, portanto, a já referida e absolutamente incômoda lacuna. 

Antes de qualquer coisa, sim, eu sei que estou falando de um fan-filme, ou melhor, uma fã-série, e que essas geralmente causam arrepios à maioria das pessoas. No entanto, seria estatisticamente improvável que não houvessem bons fan-filmes, seja sobre o batman(e não estou me restringindo àquele recentemente criado pelos cinemas), seja sobre qualquer outro personagem fictício. Na verdade, posso até citar exemplos de obras criadas por fãs que, assim como os videos aos quais esse texto se refere, tem um nível de qualidade e cuidado muito grande, como Batman the Dead End, Joker Rising e Patient J.
I'm here because I like to be here!
Passando ao enredo, a trama se constrói a partir dos videos que a Dra. H. Quinzel teria feito para estudo, quanto ao tratamento de um dos internos do Asilo Arkhan, na verdade, do interno 4479, o nosso querido Joker(aqui interpretado por Scott McClure). Uma observação necessária, é a de a Dra. Quinzel também existe nos quadrinhos, sendo que neles, é seu contato no asilo com o Coringa, que a transforma na Arlequina(isso não é um spoiler). Voltando ao assunto, quase todos os videos do citado canal se estruturam sob essa premissa, sendo que, portanto, todos tem como principal característica serem filmados em VHS, por uma câmera de mão, dando a trama um tom, talvez, mais verossímil(
a qualidade de video permanece todo tempo razoavelmente boa), embora com toda certeza, bastante original. Nem preciso falar, que essa premissa cabe como uma luva para um personagem tão caótico e carismático como o Coringa, e aqui me refiro particularmente ao Joker do cinema, já que não é difícil de imaginá-lo fazendo caras e bocas para a câmera, realizando seu pequeno show particular. Na verdade, mais do que isso, ele acha a ideia de ser filmado tão interessante, que começa a realizar, por iniciativa própria, uma espécie de documentário sobre sua distorcida e deturpada visão de mundo(que eu adorei) nas sessões e fora delas (como de praxe ele foge do Arkhan/dá um passeio por Gotham). 
Um amigo meu vai colocar os videos no youtube, ele disse.

Say hey Steve!
Não preciso comentar também, quão mortal pode ser um estudo sobre a personalidade e tratamento de um paciente tão insano quanto o Coriga, ou o fato de simplesmente lhe dar acesso a qualquer gênero ou recurso de mídia(o Steve está de testemunha). 
Recordações de um "passeio pela progressista Gotham City"
Ainda estou no início da segunda temporada, mas ao menos quanto à primeira, posso a recomendar sem nenhum peso na consciência para todos que, como eu, sentiram falta de um certo personagem em The Dark Knight Rises.


Segue aos interessados, o primeiro vídeo(esqueci de comentar que eles são curtos, com cinco ou dez min em média) da série: