sexta-feira, 23 de junho de 2017

DICA LITERÁRIA/CINEMATOGRÁFICA: ENDER'S GAME(O JOGO DO EXTERMINADOR) - Video Games, Genocídio e Falhas de Comunição

"No momento em que eu realmente entender meu inimigo, entendê-lo bem suficiente para derrotá-lo, então, neste momento, eu também o amo."
O Jogo do Exterminador

It's all about the game and how you  play it
It's all about control and if you can take it
It's all about your debt and if you can pay it
It's all about the pain and who's gonna make it

War. War Never Changes.

Ender's Game, ou no Brasil, O Jogo do Exterminador, é o primeiro livro de uma das mais aclamadas tetralogias de toda a ficção científica contemporânea. A obra, que se passa em um distante futuro onde a humanidade se defronta com uma nova forma de vida inteligente, discute temas controversos como o abuso infantil, genocídio, a influência política das redes sociais, lavagem cerebral e a racionalização do mal. Eu ainda poderia falar que o livro é uma leitura recomendada por várias organizações militares do mundo, como os United States Marine Corps(os fuzileiros), e que além do prêmio Nebula, o livro ainda ganhou o prêmio Victor Hugo graças a sua excelência. Entretanto, mais do que falar dos méritos do livro, preciso antes fazer uma escusa ao mesmo, digo, me desculpar pelo maior e mais visível obstáculo da obra à aceitação pública, o seu autor. Sim meus amigos leitores imaginários, o autor desse maravilhoso livro, Orson Scott Card, é uma pessoa... controversa


Tá... chamar apenas de controverso alguém que abertamente faz declarações públicas homofóbicas em pleno século XXI, é o mesmo que dizer que o cogumelo atômico de Hiroshima foi uma estalinho  de São João. No entanto, a despeito das declarações do autor condizem muito pouco com a realidade de sua obra, que em sua totalidade traz uma mensagem de tolerância e aceitação quanto ao diferente. Mas como de costume, coloco a carroça na frente dos burros(Sim, sou velho o suficiente para conhecer esse tipo de ditado), me esquecendo de falar do mais importante, do livro em si. Como dizia Jack, o estripador, vamos por partes!!! O enredo da obra se passa no ano de 2136, 50 anos depois de uma invasão alienígena quase ter dizimado a raça humana. Temendo um novo ataque, a humanidade cria uma poderosa força de defesa mundial. Agora, mais do que recrutar massas infindáveis de adultos maduros para combater, as crianças mais dotadas são retiradas das suas famílias e treinadas para se tornar máquinas de guerra perfeitas. No entanto, um problema remanesce, ninguém é capaz de entender as táticas ou mesmo as intenções dos alienígenas, na verdade, sequer sabe-se como os mesmos foram derrotados, sendo que nesse ponto encontramos nosso protagonista/solução, o jovem Ender.


Não posso revelar muito mais do enredo, porque isso poderia trazer spoilers tanto sobre o livro quanto sobre a adaptação cinematográfica do mesmo(que também ficou muito boa). Não posso, entretanto, deixar de elogiar o fato que mesmo publicado em 1977, a obra conseguiu desenvolver muitos conceitos que embora à época não fossem relevantes, hoje são parte importante da forma como nossa sociedade se estrutura, tais como a importância da mídia alternativa e dos blogs no cotidiano político, a utilização de games ou de realidade virtual para treinamento militar e mesmo manipulação psicológica em nível individual e coletivo. Não posso poupar elogios também à sequência O orador dos mortos(ainda estou tentando encontrar Ender, o Xenocída para comprar). Nela, assim como em Ender's Game, temos um dos  insights mais inovadores que já vi serem desenvolvidos em um livro de ficção.
A ideia de que a guerra, o genocídio e a violência, em outras palavras, o extermínio do outro, são essencialmente a consequências de situações onde não existe diálogo. Em outras palavras, não havendo a possibilidade de dialogo entre dois seres, ou duas civilizações, diferentes a violência e a nulificação do outro são a única e trágica resposta possível. Sim, eu sei que parece inicialmente algo tolo, mas praticamente todos os conflitos na história humana podem se explicados em alguma medida por esse conceito. Sejam aliens contra humanos, europeus contra indígenas ou mesmo pequenos conflitos urbanos, todos os conflitos, a violência pura e simples, é uma simples consequência de uma falha de comunicação.

Mas já me demoro demais num texto que deveria ser curto. Então... se recomendo a leitura de Ender's Game? Você leu o que escrevi acima infeliz caro leitor imaginário? Obviamente RECOMENDO, embora, como já disse, eu pessoalmente discorde, e ache mesmo que a própria obra discorda em sua essência, das palavras e posicionamentos tomados por  Orson Scott Card. A propósito, abaixo postei o trailer do adaptação do livro para o cinema. Confesso que gosto mais do livro... mas para os mais preguiçosos entre vocês, meus amados filhos da leitores imaginários, fica a dica.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

DICA LITERÁRIA: A Crônica do Matador do Rei - MAGIA, MIOJO E A VIDA UNIVERSITÁRIA



"Há três coisas que todo homem sábio deve temer. O mar em uma tempestade, uma noite sem lua, e a ira de um homem gentil."
A Crônica do Matador do Rei: Primeiro Dia

"I Hurt myself today
To see if still fell
I focus on the pain
The only thing that's real"
Hurt - Trent Reznor(versão no link do Jonny Cash)

O que posso dizer dessa narrativa que mal começou, mas que já considero pacas?!?! Brincadeiras a parte, A Crônica do Matador de Reis( The Kingkiller Chronicle) é o nome do conjunto de obras, ainda em execução, escritas pelo norte americano Patrick Rothfuss. A história, narrada pelo próprio protagonista, embora agora velho e moralmente alquebrado pelo tempo e dissabores, se passa quando o mesmo ainda era jovem, quando ele passava por um dos períodos mais difíceis e desafiadores na vida de qualquer jovem, seja num universo fantasioso, seja no mundo real, se passa durante seu período universitário. Sim, meus queridos leitores imaginários, seja no mundo real comendo diariamente miojo e fazendo das tripas coração para pagar pilhas ridiculamente grandes de apostilados, seja num universo fantástico com magia e perspectivas de vida tristemente mais interessantes que as nossas, a vida de um universitário é padecer no paraíso.



Estarei exagerando? Dramatizando às raias do romanesco sobre uma situação que na verdade não é tão sombria quanto parece? Certamente! E ao mesmo tempo não. O ambiente universitário é, na nossa sociedade, um dos principais ritos de passagem da juventude para a maturidade de parcela considerável da população. É nele que temos, sem demagogias, acesso à ideias, pessoas e universos completamente dissociados de nossas experiência empíricas anteriores. No entanto, é também um ambiente onde nossas concepções de valores e mundo são contestadas, e onde muitas vezes nossa própria identidade é posta em xeque. Em resumo, é o período em que cometemos nossos maiores acertos e erros, estes últimos com maior frequência(Sim, adoro ser dramático).   E talvez seja por isso que A Crônica do Matador do Rei seja tão próxima da nossa realidade. Mais do que apresentar o processo do conhecimento como algo mágico e interessante, aqui vemos um protagonista extremamente humanizado se debatendo contra desafios, obstáculos, realizações e sonhos comuns a todos nós. Temos desde a formação do "grupinho da faculdade" a conhecida ultima chance de termos amigos que nos suportarão até o túmulo(se vc ainda não está num grupinho... SHAME ON YOU, SHAME!!!), a crush por algum motivo aleatório inatingível, o dia em que se encontra finalmente a área em que você vai se especializar( e a sucessão de inumeráveis matérias e áreas do conhecimento que se encontra até lá),  e o maior obstáculo de todos... o vil metal. 


Tá... a narrativa não se centra nas agruras do protagonista Kvothe para arrumar dinheiro e se sustentar(essa é a história da minha vida), mas num interessante nó narrativo que envolve governos medievais ao melhor estilo GoT(Game of Thrones, pelo amor dos sete deuses!!!), um misterioso inimigo que ameaça destruir o mundo, e o próprio protagonista que, no presente da história, é a sombra do homem que foi um dia, por causa de um erro ainda a ser narrado. Fora isso, não posso deixar de mencionar que a tradução em português está belíssima, com uma leitura fluída e maravilhosamente viciante(e vejam bem que não estou sendo pago pelo merchan, mas se quiserem me pagar aceito). O único ponto negativo que posso mencionar, é o espaço temporal excessivo que existe entre cada livro( seriamente, parece que todo autor de fantasia possui um ódio obsceno contra o seu próprio público). De resto, só posso dizer uma coisa... RECOMENDO SERIAMENTE a leitura da saga(ainda incompleta) A Crônica do Matador do Rei, a todos que queiram ler algo menos sombrio que Game of Thrones, mas também não queiram apelar para algo excessivamente juvenil. Em resumo, indico o presente livro para todos que quiserem ter uma boa leitura.

sábado, 23 de abril de 2016

DICA CINEMATOGRÁFICA: JIN-ROH: A BRIGADA DO LOBO - O uivo do fascismo



"Então a garota deitou-se ao lado do lobo, sentindo o toque do pelo roçar seu corpo.
Como a senhora é peluda vovó - exclamou Chapeuzinho.
É para te esquentar, minha neta - respondeu o lobo.
Que unhas grandes a senhora tem!
São para me coçar, minha querida.
Que dentes grandes a senhora tem!
São para te comer.
E então, ao dizer essas palavras o lobo se atirou sobre a Chapeuzinho vermelho e a devorou."
Chapeuzinho Vermelho, Charles Perrault

"Houve um tempo em que os homens
Em suas tribos eram iguais
Veio a fome e então a guerra
Pra alimentá-los como animais
Não houve tempo em que o homem
Por sobre a terra viveu em paz
Desde sempre tudo é motivo
Pra jorrar sangue cada vez mais."
O Lobo, Pitty

Uma das coisas mais intrigantes sobre o conto da Chapeuzinho Vermelho é saber que o caçador só aparece nas versões mais contemporâneas da história. Na primeira versão, escrita não pelos irmãos Grimm(esses apenas se apropriariam do conto no Séc. XIX), mas por Charles Pearrault no distante Séc.XVII, a Chapeuzinho Vermelho é devorada pelo lobo ao final do conto. Sim amiguinho(a)s, não existem finais felizes nem nos contos infantis. Na verdade, as versões originais de nossas histórias de ninar tendem a ser tão sinistras, tão repletas de assassinatos, canibalismo, incestos e estupros, que fariam Game of Thrones parecer uma novela cômica das 20h. Mas voltando ao assunto, o conto original da Chapeuzinho Vermelho tem como objetivo alertar as gerações infantis sobre o perigo do estupro. Sim amiguinhos, a história que você ouviu quando era um pequeno catarrento(e que provavelmente já contou para a sua criação de novos catarrentinhos), sobre uma jovem menina que se perdia na floresta e quase foi devorada pelo lobo mau tratava-se de uma história metafórica sobre um estupro. Na verdade, não é grande surpresa. Histórias sempre foram uma ótima forma de transmissão de conhecimentos, condutas e tradições, sendo que a maior parte de nossos contos de infantis tem como fim ensinar nossas crianças(digo, catarrentinhos) sobre aquilo que é certo ou errado, ou sobre como os mesmos podem evitar situações perigosas. Entretanto, imagino que alguns de meus leitores já estejam se perguntando o que diabos isso tem haver com Jin - Roh, uma animação japonesa que se passa em uma realidade paralela onde o nazismo venceu a Segunda Guerra. Bom...o melhor caminho para se atingir um objetivo nem sempre é uma linha reta.
Uma curiosidade digna de nota... um dos principais motivos dos lobos figurarem tanto como vilões em vários contos infantis, é que séculos atrás os mesmos eram uma grande ameaça para pequenas comunidades e vilarejos.
Tal fato, acabou fazendo com que os mesmos fossem temidos e associados à toda espécie de vilania. Ao mesmo tempo, esse temor mítico influenciou uma caça desenfreada contra os mesmos, o que causou sua extinção em boa parte da Europa. 
Jin Roh: The Brigade of the Wolf, dirigido por Hiroyuki Okiura e lançado em 1999, trata-se de um drama sobre um soldado de uma unidade paramilitar fascista que se apaixona por uma integrante de um grupo terrorista. Entretanto, o filme não se limita apenas à simplicidade de seu plot, também fazendo uma atualização politizada do conto de Charles Pearrault. Agora, o lobo não é mais uma simples fera famita, tampouco um maníaco sexual, mas um sistema político desumanizador.
Kann man Herzen brechen
Können Herzen sprechen
Kann man Herzen quälen
Kann man Herzen stehlen
Fascismo, segundo a Wikipédia, é uma forma de radicalismo político autoritário nacionalista que surgiu na Europa na início do Séc. XX. Algumas de suas características mais marcantes seriam a veneração do estado, a devoção a um líder forte e carismático, e uma ênfase ao emultranacionalismo, ao etnocentrismo e ao militarismo. Obviamente, sei que essa é uma conceituação um tanto vaga e imprecisa, mas tendo em conta que apenas quero situar alguns de meus leitores mais jovens ou desinformados, e que não quero ser apedrejado ou linchado em praça pública, ela é perfeitamente apropriada. Entretanto, sei que nesse exato momento alguns de meus leitores estarão pensando que embora a ligação do facismo com a história de Jin Roh seja direta, a ligação desse com a Chapeuzinho Vermelho é no mínimo vaga, senão absurda. Contudo, citando Hobbes, "o homem é o lobo do homem", e que melhor exemplificação dessa frase senão o fascismo, um regime dedicado à violação e agressão de inimigos externos, internos e de seus próprios cidadãos. Em resumo, um reino de lobos. Sendo que nessa nação lupina, que história poderia ser mais cruel e apropriada do que o conto de Pearrault?

O homem é o lobo do homem, o lobo
O homem é o lobo do homem, o lobo
Tendo isso em conta, pode-se dizer que o filme se trata, na verdade, de um romance entre a chapeuzinho vermelho e o lobo mau. Todavia, ao contrário da história de ninar moderna e mesmo de sua brutal versão original, não existem finais felizes para protagonistas ou antagonistas. No cinzento universo dos lobos bípedes, não existe espaço para compaixão ou amor, apenas para uma eterna fome de agressão e morte.


Recomento Jin Roh: A Brigada do Lobo, portanto, a todos aqueles que gostarem de um bom drama vestido com uma profunda crítica política. No entanto, faço uma ressalva para aqueles que tiverem estômago fraco, já que o filme possui uma violência gráfica muita alta(embora ache que vocês já perceberam isso...).



Aleatório... aproveitando o espaço e apenas pelo frenesi nerd, apresento aqui minha versão favorita da Chapeuzinho Vermelho(vai ter uma resenha da obra no blog depois, eu espero). - LINK

quinta-feira, 21 de abril de 2016

DICA CINEMATOGRÁFICA: HARDCORE HENRY - O melhor videogame que já assisti no cinema...


"Rocco: Fuckin' - What the fuckin'. Fuck. Who the fuck fucked this fucking... How did you two fucking fucks..."

"Tonight I'm gonna have myself a real good time
I feel alive and the world is turning inside out Yeah!
I'm floating around in ecstasy
So don't stome me now don't stop me
'Cause I'm having a good time having a good time"


Confesso que a primeira vez que ouvi falar desse filme foi durante uma de minhas inúmeras noites insones, anos atrás. Ao que me lembro, era um final de semana monótono e como bom misantropo nerd e antissocial que sou(sim, eu odeio gente e sim, eu provavelmente te odeio, apenas sou educado o suficiente para não jogar isso na sua cara), eu estava fazendo minha semanal maratona de filmes e séries regada à quantidades temerárias de cafeína (porque dormir é para os fracos). Nesse ponto, meu amigo hipster(sim Sr. B, você é um fucking Hipster!!! Shame on you!!!) me apresentou um video da produção desse filme(esse video aqui). Obviamente fiquei entusiasmado, na verdade, entusiasmo é uma palavra demasiadamente curta e simples para descrever o estado de delirante histeria que fiquei ao ver o video. JESUS FUCKING CHRIST!!! Aquilo era o futuro! Um filme onde você podia realmente se sentir o protagonista bad ass... claro, se eu fosse branco, tivesse o mínimo de preparo físico e conhecimento bélico eu me identificaria mais ainda. Convenhamos, eu jamais cumprirei nenhum desses requisitos, então por mim já estava ótimo! Voltando ao assunto, vi que o filme ainda estava em produção e que o video, inclusive, tinha como função arrecadar dinheiro justamente para o filme. Obviamente, tive um prematuro fim de minha crush cinematográfica. Não ia acontecer, não era para acontecer. Mas aconteceu, e FUCKING CHRIST foi ótimo!!!

Sério, essa foi uma das melhores sequências de ação que vi nos ultimos anos. À excessão dessa...
Nesse minuto você pensa: "o diretor desse filme jogou CS demais..."

Houveram várias explosões, centenas de headshots, um belíssimo gore e um humor negro que me fez chorar de rir(mas tenho um senso de humor preocupantemente perverso). Pelo chifre do unicórnio dourado, foi lindo... mas sim, meu caro leitor entediado, sei que estou exagerando no meu faniquito, mas preciso expressar de algum jeito o AWESOME do que vi. Mas, finalmente, me recomponho...minto, FUCKING AWESOME MOVIE EVER!!! Falando sério, Hardcore Henry, ou como ficou conhecido no Brasil, Hardcore: Missão Extrema, é uma produção russa/americana de 2016. Curiosamente ele é o primeiro filme de ação produzido inteira e exclusivamente em primeira pessoa, e nem preciso dizer que teve grande inspiração em games first person shooter como C.S(Counter Strike), Doom e Call of Duty. Na verdade, essa foi exatamente uma das maiores razões do hype do filme, já que ele representaria o que de mais próximo o cinema poderia chegar dos games. Sim, meu leitor gamer compulsivo, você ouviu bem. Esse filme é muito parecido com um videogame. Na verdade, a impressão que tive ao vê-lo foi de ver algum amigo jogando um game com bons gráficos e uma história muito divertida.
"Esse é o ponto onde eu compro e upo minhas armas? Foda-se se a metralhadora é amis potente, me dá a escopeta!!!" Pensamento gamer 
Falando em história, esse é um ponto meio complicado no filme. Inicialmente o enredo do filme parece muito simples, na verdade, ele é extremamente clichê de início. O herói, um androide, salva a mocinha indefesa do maléfico vilão, um telepata albino bad ass mas com um plano de dominação mundial merda, a mesma ideia que permeia desde Tristão e Isolda até Super Mário, em resumo, o suprassumo do clichê. Óbvio, que apresentado aqui de forma um tanto quanto canhestra, mas compreensível dado o fato de que o filme se passa inteiramente pelos olhos do protagonista. Entretanto, com o desenvolver da trama o enredo fica assustadoramente mais profundo(obviamente, dentro das limitações de um filme B) e alguns personagens até conseguem um bom desenvolvimento.

Mas quem se importa com enredo e desenvolvimento de personagem?!?! Ser bad ass é o suficiente, não? Não? NÃO?!

Não posso me escusar de dizer que o filme tem suas falhas e limitações. Essas que, inclusive, tornam o filme inadequado para o grande público. Além do grau extremo de violência e nudez(imagino que filme tenha, no mínimo, censura 18 anos), o fato de ser filmado em primeira pessoa e do personagem correr, escalar, pular de prédios, helicópteros, tanques de guerra, além de coisas que apenas a imaginação de um louco pode conceber, tornam a imagem projetada na tela um pouco desorientadora. Não me entendam mal, não estou dizendo que a câmera mexe muito, estou dizendo que a câmera mexe o tempo todo!!! Quando o protagonista do filme corre durante algumas sequências, confesso que fiquei quase enjoado e tonto(não pelo tremor da câmera, mas porque realmente me senti correndo). Entretanto, tendo em conta que se trata de um filme experimental essas falhas são perdoáveis. Na verdade, para aqueles que são viciados em games ou que gostam de filmes como Adrenalina(que eu vergonhosamente assumo que gosto), esse filme será provavelmente a melhor coisa que foi lançada em décadas!!! Entretanto, caso você(VOCÊ MESMO) tenha um certo problema com sangue, não goste muito de filmes de ação ou simplesmente tenha resistência à filmes B... eu não recomendaria ver esse filme. Sério mesmo, você vai odiar.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

DICA CINEMATOGRÁFICA: Terminator 5 - É ruim, mas eu gostei!

"(...)
He was turned to steel
In the great magnetic field
When he travelled time
For the future of mankind

Nobody wants him
He just stares at the world
Planning his vengeance 
The he will soon unfurt
(...)"


Confesso que assisti ao mais recente filme da saga Exterminador do Futuro, Terminator Genisys(Terminator 5) e, ao contrário da maior parte das opiniões que podem ser vistas nas redes sociais, blogs e podcasts, gostei do filme. Sim, podem reclamar e xingar muito no twitter pela puta falta de sacanagem de minha afirmação(só os fortes entenderão). Não posso mentir, me diverti um bocado vendo este filme de merda.
Sério. Adorei!

Mas não sejamos apressados ou melhor, como diria Jack - O Estripador, vejamos isso parte por parte. De início, esse filme que se propõem a revitalizar a série Exterminador do Futuro(que desde Terminator 3 andava mal das pernas), o faz do mesmo modo que a FOX  fez em X Men: Dias de um Futuro Esquecido. Ele usa o conceito de viagens no tempo e das consequentes mudanças do contínuo temporal para apagar todos, ou ao menos parte, dos desastrados filmes anteriores(que nunca haveriam ocorrido de acordo com essa confusão). Já imagino agora que muitos de vocês estejam se perguntando "What the fuck is this?!" e, não se preocupem, explico. Viagens no tempo, como a próprio nome já deixa subentendido, se constituem na possibilidade de se deslocar livremente de uma época para outra, sendo que um dos primeiros autores a introduzir o conceito foi H.G Wells, no seu livro A Máquina do Tempo. Entretanto, embora no livro citado o protagonista tenha viajado para o futuro, a possibilidade de se deslocar no tempo livremente trás uma questão óbvia. Viajar para o passado não poderia alterá-lo? O tempo(passado/presente/futuro), pode ser alterado ou é algo sólido e imutável? Em resumo, viajar no tempo desafiaria o "destino" ou apenas o confirmaria?


Confuso ou não, adorei essa cena! hahahahaha
A propósito, Khaleesi cadê os dragrões?!

Bom, a resposta a pergunta anterior depende do universo ficcional de que estamos falando(nem a pau tento discutir as possibilidades disso na física quântica). Em universos como Donnie Darko, Efeito Borboleta e no próprio Terminator 5, o tempo é algo mutável, então alterar o passado pode alterar o futuro(o presente de onde se partiu a viagem). No entanto, o problema é que durante todos os outros filmes da saga Terminator, o tempo sempre se mostrou algo imutável. Sim pequeno hater, eu sei que a Skynet sempre mandava robozinhos para matar o John Connor ou a mãe dele ou o papagaio dele. Entretanto, nenhum desses robôs, contra todas as chances a seu favor, tiveram sucesso(o que prova que o tempo é imutável). Mais ainda, se algum deles tivesse matado John Connor e o mesmo nunca tivesse existido no futuro, por que razão o mesmo robô teria sido enviado para o passado? O robô nunca teria existido assim como a pessoa que ele matou! Pior, se a mãe de Johnn Connor não houvesse sido caçada por um robô assassino(The Terminator-1984), o famoso herói da revolução das máquinas nunca teria nascido(não nos esqueçamos que o pai dele veio do futuro). Em resumo, a própria Skynet criou John Connor! E não me venham com a ideia de "linhas de tempo paralelas", pura balela!!! Isso é um furo imensurável no enredo e vocês sabem, mesmo que não admitam!

WTF!!! Dr. Who??? O que aconteceu com você?! E não posso deixar de dizer que sua nova Sonic Screwdriver está incrível!!! (se você entendeu isso, seu nível nerd está muito, muuuuuito alto)
Sim, eu sei, esse papo de viagens no tempo é mortalmente confuso. Entretanto, enredos cujo plot envolve viagens extra temporais são normalmente muito confusos,  fora que os roteiristas de filmes normalmente são também bastante preguiçosos ou inaptos para esclarecer melhor suas histórias. E falando em preguiça e inépcia, não posso deixar de dizer que foram esses os dois principais elementos que construíram o roteiro do Terminator 5. Houve a preguiça de se criar boas cenas, bons diálogos ou sequer uma história decente, e houve uma imperdoável inaptidão para repetir os velhos jargões e clichês que nos fazem amar tanto filmes de ação. Imagino agora que depois dessa pilha de defeitos e malfeitos meu leitor, meu incauto e desinteressado leitor, esteja se perguntando o que diabos gostei nesse filme. Bom, sabe aquele ditado: "tão ruim que é bom?". As cenas  de ação são passáveis, embora tenha muito menos sangue e suor que nos longas anteriores, os diálogos são fracos, mas algumas piadas até que funcionam e, mais importante de tudo... Temos FUCKING robôs assassinos do futuro!!! Por pior que seja, qualquer filme com robôs assassinos do futuro carregando escopetas e armas laser merece ao menos um voto de confiança(sqn).


Awesome!!!

Sim, esse é um péssimo motivo para indicar um filme para qualquer um, mas convenhamos, a maior parte de nós, senão todos nós, já assistimos a coisas piores pagando. Portanto, recomendo esse filme para todos aqueles que desejam não uma obra prima, mas apenas um filme bobo, exagerado e engraçadinho. No fundo, apenas um bom pretexto para ir ao cinema e comer pipoca.





segunda-feira, 23 de março de 2015

DICA CINEMATOGRÁFICA: Better Call Saul - Eu adoro esse cara, mas jamais(JAMAIS) quero ser ele(please god).


Jesse Pinkman explicando a necessidade de assistência jurídica "especializada" para Walt.


Confesso que pensei em vários jeitos de começar este comentário sobre a recente série do canal AMC, Better Call Saul. Pensei em citar o fato de que ela não é apenas um spin-off de uma das melhores séries que algum dia já vi(Breaking Bad), mas também que ela é sobre o melhor personagem de toda série (e não estou exagerando quando digo isso). Também pensei em iniciar esse texto recontando algum caso ou citação interessante do personagem. Mas não, pensando bem, a melhor forma de abrir esse pequeno momento de insanidade é contar como vim a saber da estreia da série. Não, não foi através de um comercial ou até mesmo de alguma aleatória fonte de notícias nerd ou geek. Foi através de um amigo meu, particularmente avesso à assistir séries ou coisas do gênero. Um colega de profissão(ou mais ou menos isso, já que ainda não passei na OAB), para ser mais exato. Quando me indicou a série, o mesmo o fez bastante aterrado, dizendo que o protagonista da série encarnava a pior perspectiva profissional para qualquer advogado ou jurista recém formado. Confesso que achei exagero(eu adorava esse personagem em Breaking Bad), sendo que assisti sem demora ao episódio piloto da série. Demorou horas para eu me recuperar do impacto(assistir ao Anticristo do Lars foi menos traumático). Sim, Saul Goodman é ainda um dos meus personagens de seriado preferidos. Mas god, ALL GODs, please, jamais me deixem me transformar em algo parecido com ele!!!
Embora eu realmente não queira ser como ele, adoraria alguns cartões como esses.
E agora fica evidente a razão pela qual a OAB proíbe que os  seus advogados de fazer propaganda de seus serviços abertamente...


Antes de se tornar o respeitável, ou nem tão respeitável, advogado mostrado em Breaking Bad, Saul Goodman(ou melhor, James McGill, seu nome de nascença), poderia apenas ser descrito como um "merda". E não se enganem, ele não era um "merda" como eu ou você(mas se você for tão merda quanto ele, sinta-se envolvido pelo meu abraço imaginário de compaixão nesse exato momento), ele era o rei dos perdedores. Não só ele poderia ser descrito apenas como um sofrível advogado de porta de cadeia, mas também como alguém existencialmente "fudido". Seu carro era algo digno de pena, ele tinha como escritório uma saleta sombria e minúscula dentro de um salão de cabeleireiro (do qual o aluguel estava atrasado inclusive), ele havia sido chutado de seu antigo emprego em um bom escritório e a miséria parecia bater sorridente à sua porta. Como já disse, ele estava "existencialmente fudido", e era a representação viva daquele sórdido pesadelo que ocasionalmente acorda todo o advogado no meio de uma noite fria e não lhe permite voltar ao sono. 
Compassivos abraços imaginários para todos os "losers" do mundo.
Please God!!! No. No, noooooooo!
Mas saindo de minhas fobias profissionais e voltando à série, ela se propõe a explicar como a persona Saul Goodman, com seus espalhafatosos trejeitos e práticas absolutamente questionáveis, surgiu de James McGuill, um perdedor por essência. Ou melhor dizendo, como um advogado criminal se tornou um advogado criminoso, parafraseando Jesse Pinkman. Não posso deixar de dizer, que os produtores da série são os mesmos de Breaking Bad, sendo que só isso já é suficiente para atestar a qualidade da série que tanto em enredo, atuações e produção está longe de deixar a desejar da série a qual se originou. Embora, entretanto, assuma desde o início um tom menos sério que ela, algo mais condizente com o seu protagonista, que paira eternamente entre o ridículo e o sublime(embora quase sempre mais para o primeiro). 



Não posso me esquecer de dizer também, que a série é uma ótima forma de revisitar alguns excelentes personagens que foram criados em Breaking Bad. Embora nada relativo a Los Pollos Hermanos ou ao império criminoso de Gustavo Fring já tenha sido citado, alguns personagens da série original já foram introduzidos no novo roteiro, como Nacho Varga, Tuco Salamanca e o meu preferido, Mike Ehrmantraut. O ultimo, inclusive, parece que foi introduzido de forma indelével (e absolutamente memorável) na trama, algo que realmente me deixa satisfeito. Creio que os antigos fãs de Breaking Bad se lembrarão dele ainda como, simplesmente, o personagem mais bad ass de toda a série, perdendo nesse quesito talvez(talvez) apenas para Gustavo Fring, que imagino que também será brevemente introduzido no spin-off.

No mais, recomendo Better Call Saul a todos que queiram ver uma boa e descompromissada série de tv. Sendo que faço uma especial recomendação a colegas e amigos que cursem direito. Sim, tenho uma especial apreciação por espalhar o horror pelo coração dos mais incautos e traumatizar para sempre amiguinhos de faculdade. Mas falando sério, creio que é o público jurídico, acostumado com a lógica ilógica de nossas práticas profissionais, que mais gostará da série que, no fim, apenas fala de um hipotético colega de sina que olhou perto e por tempo demais para o abismo.





domingo, 28 de dezembro de 2014

DICA LITERÁRIA: O Rei de Amarelo, de Richard W. Chambers - Carcosa, o lugar do impensável


“Seu olhar caiu sobre o livro amarelo que Lord Henry lhe enviara. O que seria isso, perguntou-se(...) após alguns minutos, estava absorto. Era o livro mais estranho que já havia lido. Parecia que, em vestes refinadas, e ao som do delicado de flautas, os pecados do mundo desfilavam, em silêncio, diante dele. Coisas com que havia sonhado  de modo vago tornavam-se reais para ele. Coisas que jamais imaginaram eram-lhe reveladas.”
O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

Segundo um velho ditado, somente tememos aquilo que não conhecemos, ou seja, o medo, em sua forma mais essencial, está sempre vinculado à ignorância, a um desconhecimento fundamental sobre o objeto temido. Tendo isso como premissa, torna-se claro que algo cuja compreensão estivesse além de qualquer possibilidade do entendimento humano, ou seja, algo que fosse essencialmente encoberto a nossos olhos, seria obrigatoriamente objeto por nós de temor, pode-se até dizer que personificaria o próprio medo. Nem preciso dizer, que boa parte das obras de horror e de suspense do cinema e da literatura levam em conta a mencionada relação entre o medo e o desconhecido na construção de suas narrativas e enredos. Alguns bons exemplos do citado, são filmes como Alien, o 8 passageiro, Sillent Hill (aqui tanto o filme de  quanto o jogo) e o seriado Lost, com a sua misteriosa fumaça negra ( que ninguém sabe, até hoje, o que diabos era).



“O mar quebra pela orla, vago,
Os sois gêmeos afundam sob o lago,
(...)"

Mas, embora de uso comum, raramente a relação entre o desconhecido e o horror foi tão bem traçada como na obra de autores como Richard W. Chambers e H.P Lovecraft. Ambos, inclusive, foram fundamentais para o desenvolvimento do citado postulado, já que construíram obras onde a impotência da ação humana frente ao desconhecido era total(o que faz, por consequência, que o horror seja ilimitado), e não meramente relativa, como comumente se mostrava nas obras do gênero e, na maior parte das vezes, mesmo hoje ainda se faz. Mas creio que não estou sendo claro ao meu querido(a) leitor(a) imaginário(a), portanto, desenho! Na maior parte dos filmes e livros de terror, existe um desvelamento progressivo do objeto temido, ou melhor dizendo, a cada vez que é confrontado com o objeto de medo, o protagonista e nós, os expectadores ou leitores, conhecemos o mais, portanto, o tememos menos. Em resumo, existe um anacronismo entre aquilo que se pretende, gerar medo, e aquilo que se faz, diminuir progressivamente o medo criado.

"(...)
As sombras se alongam,
Em Carcosa.
(...)"


O que os dois citados autores realizaram foi o processo contrário, a cada vez que temos mais contato com suas obras, cada vez menos sabemos o que se passa, assim como os protagonistas o que, portanto, faz com que o objeto pareça cada vez mais terrível, cada vez mais passível de causar medo. No entanto, existe uma curiosa diferença entre os dois, enquanto que H.P. Lovecraft desenvolve seu objeto de medo a partir de algo sólido, de um plano de existência avesso ao nosso, Chambers no seu O Rei de Amarelo, constrói o terror sobre o puro pesadelo, sobre uma existência que é puramente imaginária mas que, de alguma forma, vaza seu conteúdo para o mundo real. Em outras palavras, enquanto que o medo é uma relação de consequência no primeiro, o segundo tem o medo não como um elemento de narrativa, mas como um personagem.
"(...)
Estranha é a noite em que as estrelas negras sobem,
E estranhas luas os céus percorrem
Mas mais estranha é a
Perdida Carcosa.
(...)
Mas já vamos ao terceiro parágrafo e apenas mencionei de passagem o livro a que pretendia resenhar. Mais uma vez (e não será a ultima), me perdi em elucubrações e pensamentos vagos (meu triste fado). Mas deixando de lamentações, creio que já é mais do que hora de irmos ao que interessa, ou seja, o livro! Bom, de início, a obra O Rei de Amarelo foi publicada em 1895 e é formado, basicamente, por vários contos que vão desde o terror ao romance desesperançado. A propósito, desesperança é a palavra chave para se entender o livro, que em uma narrativa sã, por vezes também febril e ocasionalmente mesmo insana, sempre nos apresenta o mundo como um lugar decadente, onde os sonhos e as ilusões estão sempre fadados a naufragar frente à dureza do cotidiano. Sim, o sentimento de decadência do fin de siècle impera por todo livro, sendo que o amarelo com o qual se veste o onipresente Rei de Amarelo possui esse exato significado, decadência. 
"(...)
 Que morra inaudita,
Onde o manto em retalhos do Rei se agita;
A canção que entoarão às Híades na
Obscura Carcosa.
(...)"

A escolha da cor para as vestes do rei, a propósito, é bastante curiosa, embora talvez um pouco datada. Amarelos eram os livros franceses(lembrando que todos os contos têm como pano de fundo a França), normalmente de conteúdo polêmico ou liberal demais para a puritana sociedade inglesa, que os encarava como uma fonte de vícios e imoralidades. Não nos esqueçamos que estava em voga  a ideia de que certas ideias, certos pensamentos e palavras eram essencialmente perigosos, e deviam ser evitados. Sendo os espelhos da alma, os olhos eram uma relevante fonte para a corrupção da mesma. Nessa ótica, faz mais sentido que um dos motes centrais do livro, seja a ideia de uma peça fictícia, um livro, que causaria loucura a quem a lesse, e esse mesmo se chamaria O Rei de Amarelo, numa clara menção, aos citados livros franceses.
"Canção de m’alma, minha voz finada;
Morra sem ser entoada, como lágrima jamais derramada
Seca e morta na
Perdida Carcosa”.

“Canção de Cassilda”, em O Rei de Amarelo, ato I, cena 2

Mas imagino que muitos de meus leitores imaginários estejam se perguntando sobre Carcosa, já que provavelmente foi apenas pela menção dessa palavra que começaram a ler esse texto. Sim, apenas pela menção dessa palavra! Não, não estou exagerando. Essa curta e enigmática palavra, assim como a sua relação com O Rei de Amarelo, foram um dos pontos centrais na série True Detective, produzida pela HBO em 2014, sendo que não posso deixar de dizer, que a mesma é absolutamente obrigatória. Sim, todos, todo mundo, EVERYONE, deve ver essa série que, na minha opinião, foi de longe uma das melhores produções de todo o ano!!! Mas, obviamente, antes de assisti-la, leiam o livro, que dá tão poucas indicações quanto ao que seriam Carcosa e a real identidade do Rei de Amarelo quanto a própria série, mas que é fundamental para se entrar no clima menfítico e lovecraftiano que ela desenvolve. Deixo então, o trailer do seriado que mencionei, e a sincera recomendação que todos vocês, minhas pequenas crianças da noite, leiam O Rei de Amarelo. No mais, encerro essas tortas linhas invocando as bençãos do desconhecido sobre todos vocês. Adeus!